Economia
Governos acompanham a dist�ncia
Os governos federal e de Alagoas funcionam como avalista dos usineiros na transação de empréstimos com bancos suíços, mas acompanham as negociações a distância. Segundo Pedro Robério, o setor conseguiu avançar na liberação do empréstimo. O dinheiro será empregado em investimentos no plantio e pagamento de débitos com fornecedores. O valor do empréstimo não será mais de US$ 1 bilhão porque nem todos os usineiros foram habilitados, alguns perderam o interesse no empréstimo que por conta da burocracia demorou dois anos para a liberação. O montante da liberação caiu para US$ 150 milhões (pouco mais de R$ 400 milhões). ?O dinheiro é para ser aplicado quase que integralmente no plantio de canaviais destruídos pela seca. O restante vai para pagamento de salário e de fornecedores de cana?, explicou o presidente do Sindicado das Indústria de Açúcar e do Álcool de Alagoas. GESTÃO O setor sucroenergético de Alagoas há mais de uma década tem reformulado a forma de administração substituindo a gestão familiar. Hoje, o presidente do Sindaçúcar, Pedro Robério, não é usineiro. Na verdade, é administrador de empresa que traz a experiência profissional junto com a capacidade de modernização do gerenciamento deste negócio que já foi o mais importante da economia alagoana e ainda ocupa as terras mais férteis de 50% dos 102 municípios. Mas vive situação de decadência com algumas empresas se transferindo para outros estados. Com relação ao modelo familiar e antigo de administrar as usinas e a própria entidade sindical dos usineiros, Pedro Robério faz algumas ponderações. ?Numa leitura superficial alguns entendem que toda empresa familiar é ruim e toda empresa profissional é boa. Os extremos não são verdadeiros. Walmart (empresa do negócio de atacado), por exemplo, é uma empresa familiar e uma das maiores do mundo. Temos conhecimento de muitas empresas profissionais que fecharam. A palavra mais correta no setor hoje é a profissionalização no sentido de que o setor está se adaptando aos modos mais atuais de gestão?, ressalta. Pedro Robério explica que a profissionalização se deu quando o governo se retirou da intervenção econômica no setor. Até o ano de 1999/2000, o setor tinha preço tabelado e a atividade com subsídio. De lá para cá os preços são de mercado e não existem mais subsídios, disse Pedro Robério. ?É natural que as empresas começaram racionalizar seus processos de gestão e produção. Operações agrícolas de alto custo e não remuneráveis, como plantio em encostas, deixaram de ser praticadas?. Agora está em curso o processo de mecanização. O processo passou a ser adotado lentamente porque, segundo o presidente do Sindaçúcar, gera desemprego. ?É preciso encontrar outra atividade para ocupar as pessoas que serão desalojadas [desempregadas]?.