Economia
Contas externas: melhor resultado em uma d�cada
Brasília, DF ? Beneficiadas pelo saldo da balança comercial, as contas externas do País registraram o melhor resultado no primeiro semestre em dez anos. Segundo dados divulgados na sexta-feira, em Brasília, pelo Banco Central (BC), o indicador acusou superavit de US$ 715 milhões de janeiro a junho, contra deficit de US$ 8,487 bilhões no mesmo período do ano passado. Apenas em junho, as contas externas tiveram superavit de US$ 1,33 bilhão, o melhor resultado para o mês desde 2004. O saldo representa melhora em relação a junho do ano passado, quando o indicador tinha anotado deficit de US$ 2,489 bilhões. Também chamadas de transações correntes, as contas externas medem a soma da balança comercial (diferença entre exportações e importações de bens físicos) e da conta de serviços (diferença entre exportações e importações de serviços). O indicador também é composto pela conta de renda (que mede a diferença entre ingressos e saídas de pagamentos de lucros, juros e dividendos do país) e pelas transferências unilaterais (como doações de emigrantes e de organizações internacionais para o Brasil). VULNERABILIDADE As contas externas medem a vulnerabilidade da economia a choques internacionais. Quanto melhor o resultado, menor a dependência para se financiar por meio do mercado financeiro, que apresenta alta volatilidade e pode sair do País a qualquer momento, ou por meio do investimento estrangeiro direto, de empresas estrangeiras que abrem unidades no País, mas podem sair dependendo do ambiente de negócios. Segundo o Banco Central, as contas externas têm sido ajudadas pela balança comercial, que totalizou US$ 34,9 bilhões no primeiro semestre, beneficiada pela melhoria nos preços das commodities (bens primários com cotação internacional) e por safras recordes que garantiram aumento na quantidade exportada. Apesar do superavit no primeiro semestre, o BC projeta que as transações correntes encerrarão o ano com deficit de US$ 24 bilhões, equivalentes a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no País). A estimativa é inferior ao deficit de 1,31% do PIB nas contas externas registrado em 2016.