Economia
Petr�leo sobe at� 7% com guerra e crise na Nig�ria
Os preços do petróleo dispararam ontem após as dificuldades enfrentadas pelas tropas aliadas no Iraque durante o final de semana. Também preocupa o mercado os enfrentamentos étnicos na Nigéria, quinto maior exportador para os Estados Unidos e o primeiro para o Brasil. Em Nova York, o petróleo teve alta de 6,5% e encerrou cotado a US$ 28,66 o barril. Já em Londres, o barril terminou com alta de 7%, vendido a US$ 26,09. Apenas nos últimos dez dias, os preços tiveram queda de mais de 30%. Nigéria As multinacionais petrolíferas Shell, ChevronTexaco e TotalFinaElf suspenderam parte de suas operações na Nigéria devido a conflitos étnicos e religiosos ocorridos na região do delta do rio Niger, os quais causaram redução de 16% na extração de petróleo nas últimas semanas. Se a instabilidade se prolongar, esse pode ser mais um fator a pressionar as cotações do combustível. Líderes da etnia Ijaw ameaçaram explodir poços de petróleo de multinacionais, caso tropas do governo reprimam seus militantes. Iraque A produção de petróleo no Iraque se encontra hoje praticamente paralisada, e milhares de barris do produto que foram retirados dos poços ainda antes do início da invasão das forças coligadas encontram-se sem escoamento no oleoduto que liga o norte do país à Turquia. Dos 15 poços petrolíferos em atividade até semana passada, somente dois ainda produzem para manter o abastecimento interno. A informação pelo Conselheiro e Encarregado de Negócios da Embaixada do Iraque, Jarallah Alobaidy. Ele explicou que os seguros para as companhias petrolíferas que compram o produto tornaram-se proibitivos com a eclosão do conflito. Desde 1996, uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) permite que o país comercialize - apesar do embargo - o petróleo em troca de alimentos como o trigo, medicamentos e maquinários, mas, segundo Jarallah, o prolongamento da invasão anglo-americana poderá gerar escassez desses produtos, com sérias conseqüências para o povo iraquiano. Compensação Petrobras já trabalha com a possibilidade de atrasos nos carregamentos de petróleo vindos da Nigéria, um dos seus principais fornecedores, em função da interrupção de alguns poços produtores de petróleo naquele país. O atraso, no entanto, não irá prejudicar o abastecimento interno, avalia o gerente geral de comércio externo da estatal, Edgar Manta. Um possível adiamento nos carregamentos nigerianos pegaria o Brasil em um momento em que os estoques de petróleo e derivados estão altos, em função da preparação iniciada meses atrás para enfrentar uma eventual falta de produtos com a guerra do Iraque. ?Sempre atrapalha um pouco a logística, mas ainda não temos notificação de atrasos, e se tiver, será de dias, não acredito em cancelamentos?, disse Manta. A Nigéria forneceu em 2002 uma média de 34% de todo o petróleo importado pelo Brasil. Manta lembrou que a crise na Nigéria é política e recorrente, devido a conflitos étnicos, e por isso não deve se estender por muito tempo. Se isso ocorrer, ressaltou, países como Argélia, Angola, Congo ou Camarões podem ser acionados para substituir as importações nigerianas.