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SERTÃO REVIVE TEMPO DE FARTURA

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Havia 50 anos que os sertanejos não tinham perspectivas tão concretas de fartura na agricultura e pecuária alagoana. Os açudes estão cheios. Nos rios e riachos corre água em abundância. As barragens sangram junto com olhar dos micro e pequenos agricultores. Desde maio chove regularmente nos municípios do Sertão e do Agreste, depois de seis anos da estiagem que dizimou parte do rebanho bovino, reduziu em 50% a produção da bacia leiteira e arrasou a agricultura tradicional. Hoje, tudo mudou. A cor do Semiárido é verde. A esperança floresce por todos os lados. A produção de milho vai passar das 80 mil toneladas, o dobro do ano passado, segundo estimativa do IBGE e da Conab. O gado lentamente ganha peso e retoma o valor nas feiras de animais. A produção de leite dobrou para 500 mil/dia e aumenta a cada momento, a ponto de comprometer o valor do ?ouro branco? no mercado consumidor por causa da abundância que provoca queda de preço. Para complicar, há , ainda, a falta de tecnologia para estocar a produção neste momento. O produto teria de ser transformado em leite em pó para não estragar. E o problema deve se agravar nas próximas semanas, quando os animais, mais fortes, devem alcançar o auge da produção de leite. O Estado vai voltar a ser um dos maiores produtores do Nordeste, com 700 mil litros/dia. Chama a atenção o fato de que boa parte do leite é produzido pelas 39 mil famílias que se declararam ao Pronaf (Programa Federal de Agricultura Familiar) aptas para a produção de leite. Cerca de 50% das famílias inscritas no Pronaf foram atingidas pela longa estiagem. Agora, com o clima favorável, elas retornaram às atividades na agricultura e na pecuária. O governo estadual também aproveita o bom momento climático, estimula a ampliação das áreas agrícolas, promove a inseminação artificial e as transferências de embriões para melhorar a qualidade genética do rebanho e automaticamente aumentar a produção de leite.

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