Economia
Trabalhadores criticam privatização
Sob o argumento de que ?a medida trará maior competitividade e agilidade à empresa para gerir suas operações?, o Ministério das Minas e Energia entrega hoje ao governo Temer o plano de privatização da Centrais Elétricas Brasileiras S.A, a conhecida Eletrobras. O anúncio, confirmado ontem, agravou o nível de insatisfação dos trabalhadores da estatal ? que em Alagoas tem o controle da distribuição de energia elétrica ?, contrários à venda da empresa. O anúncio é mais uma frente de luta dos eletricitários alagoanos, que desde 2008 reagem à venda da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), à Eletrobras. ?Somos totalmente contrários à entrega do patrimônio público para a iniciativa privada. O setor elétrico é estratégico e a população precisa ser alertada?, afirmou ontem o presidente do Sindicato dos Urbanitários, Nestor Powell. Segundo ele, os trabalhadores do setor elétrico vão intensificar a mobilização contra o projeto privatizante do governo. ?A luta começa no próximo dia 30, quando estaremos na Câmara Federal defendendo o projeto que impede a privatização das distribuidoras de energia?, revela Nestor Powell. Neste sentido, o dirigente do Sindurbanitários/AL pede que os deputados federais de Alagoas defendam a Ceal, votando a favor do projeto e se manifestando contra a privatização da Eletrobras. ?NA CONTRAMÃO? A Eletrobras é uma sociedade de economia mista e de capital aberto, com controle acionário do governo federal, responsável pela geração, transmissão e distribuição de energia. Sua venda está relacionada à necessidade do governo de reforçar o caixa por meio de concessões e privatizações de estatais dessa monta. ?O setor elétrico vem sendo eixo de negócios, como parte do Plano Nacional de Desestatização. Significa que o governo coloca à disposição do capital internacional o patrimônio público brasileiro. Outros setores, como o de água e saneamento também estão ameaçados?, argumenta o dirigente sindical alagoano. Para Nestor Powell, ao colocar à venda fontes de recursos naturais, como o petróleo, a energia e a água, o governo do presidente Michel Temer ?leva o Brasil na contramão do mundo desenvolvido?. É que, alerta o presidente do Sindicato dos Urbanitários, os países ricos estão reestatizando esses setores, de modo a proteger suas riquezas naturais. Para o sindicalista, é enganosa a afirmação do governo de que ao privatizar a Eletrobras pode ocorrer o barateamento da conta de luz. Ao contrário, afirmou Powell, o mais provável é que haja alta nas tarifas.