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Venda da Eletrobras terá efeito perverso, diz Aneel

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Relatório produzido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) afirma que uma mudança discutida pelo governo para uma parte das hidrelétricas da Eletrobras deve gerar um ?efeito perverso sobre o custo de energia suportado? pelos consumidores. Ou seja, segundo a agência, isso resultará em aumento nas contas de luz. Nesta semana, em entrevista para detalhar a proposta de privatização da Eletrobras, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, confirmou o interesse do governo na mudança, chamada de ?descotização?. O objetivo da medida é transferir o controle dessa energia para o setor privado. A operação renderia o pagamento de bônus ao governo que, em meio ao rombo crescente das contas públicas, poderia contar com um recurso a mais para tentar cumprir a meta fiscal. A operação, porém, também deve elevar o custo da energia produzida por essas hidrelétricas, o que atinge diretamente o consumidor. Simulações feitas pela Aneel, e que constam do relatório, apontam que o aumento nas tarifas de energia pode variar de 0,2% a 16,7%, dependendo do cenário. A proposta prevê a retirada dessas hidrelétricas do chamado sistema de cotas (descotização). Esse sistema foi criado em 2012 pelo governo da ex-presidente Dilma Rousseff, dentro do plano que levou ao barateamento das contas de luz. Para conseguir baixar as tarifas, uma das medidas do governo foi oferecer a operadores de hidrelétricas a prorrogação de contratos de concessão que estavam por vencer. Em troca, essas empresas tiveram que aceitar receber um valor bem mais baixo pela energia gerada por essas hidrelétricas a partir dali, o que ajudou a baixar o preço das tarifas. O conjunto da energia gerada pelas hidrelétricas que aderiram ao plano do governo é chamado de cota.

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