Economia
Produtores de leite amea�am interditar ind�stria
EDIVALDO JUNIOR Cerca de 80 produtores de leite realizaram, no final da manhã de ontem, uma manifestação no posto de coleta de leite da Parmalat, no município de em Jacaré dos Homens. Eles ameaçavam interditar o local e manter presos os funcionários da empresa em protesto contra os baixos preços aos fornecedores. ?Atualmente, tem produtor que está recebendo apenas R$ 0,36 por cada litro de leite entregue aqui no posto, enquanto no Sul e Sudeste essa mesma empresa está pagando em média R$ 0,53 pelo mesmo produto?, denunciou o produtor Marcos Ramos. Os ânimos só se acalmaram com a chegada de representantes da Federação da Agricultura e Pecuária de Alagoas (Faeal), do Sindicato dos Produtores (Sindileite) e diretores da indústria, em Pernambuco. Uma comissão formada por produtores e representantes de instituições iniciou no local as negociações com Claudino Amaral, gerente posto de Parmalat em jacaré dos Homens, Paulo Cordeiro e Silvio Ferreira diretores da Parmalat em Garanhuns, onde funciona a unidade da multinacional no Nordeste. ?Apresentamos a proposta de equiparação dos preços com o Sudeste retroativos a 16 de março?, antecipou o presidente da Faeal, Álvaro Almeida. ?Eles se comprometeram a dar uma respostas até a próxima sexta-feira. A boa vontade impediu o acirramento dos ânimos, por enquanto. Mas, se a resposta for negativa, não só vai causar um grande frustração, mas também uma grande revolta?, completou. A empresa também se comprometeu a voltar a participar das negociações de preço com as entidades representativas dos produtores ?a exemplo do que fazem as demais indústrias de laticínios de Alagoas. ?Na próxima reunião do setor eles também vão sentar à mesa de negociação . Dessa forma, passaremos a definir um preço mínimo único para todas as indústrias que captam leite no Estado, pois somente a Parmalat é que estava fora dessas discussões?, disse. Os produtores prometem novas manifestações contra a Parmalat e as outras indústria do Estado se os preços não forem reajustados nos próximos dias. /// Produtor reclama da queda no preço e alta dos custos O setor leiteiro de Alagoas atravessa uma de suas piores crises. Os produtores reclamam, ao mesmo tempo, do aumento dos custos de produção, provocado pela alta do dólar, e da redução dos preços pagos pela indústria. Segundo estimativas do Sindileite, os custos aumentaram, nos últimos seis meses ? após a sobrevalorização do dólar ? mais de 50%, enquanto os preços pagos aos produtores, recuaram cerca de 10%. Até novembro, segundo Ricardo Barbosa, presidente do Sindileite, o preço básico do litro de leite era tabelado em R$ 0,44.?Hoje as indústrias pagam somente R$ 0,40, embora tenha aumentado os preços para o consumidor?, desabafou. A avaliação do Sindileite e da Faeal é de que os preços pagos atualmente não cobrem sequer os custos de produção. ?Para produzir um litro de leite, alimentando e cuidando corretamente dos animais, o produtor gasta mais de R$ 0,46. No entanto, recebe apenas R$ 0,40. Se continuar assim, vamos ficar descapitalizados e a produção de Alagoas vai se acabar aos poucos?, disse Álvaro Almeida . O valor pago em Alagoas, aponta o delegado federal da Agricultura, Domício Silva, é um dos menores do país. ?Pelos nossos levantamentos, no Sul e Sudeste, os preços estão oscilando entre R$ 0,50 e R$ 0,70?, disse. Alagoas tem, segundo estimativas da FAEAL, mais de 20 mil produtores de leite, em todas as regiões do Estado. A maior concentração, está no do agreste e sertão, na região conhecida como bacia leiteira, que engloba 18 municípios. O setor gera aproximadamente 80 mil empregos diretos e indiretos e é responsável por um produção diária de mais de 400 mil litros de leite. A maior parte dessa produção é captada pelas grandes e médias indústrias instaladas no Estado (Camila, Valedourado, São Domingos, Parmalat e Batalha).