Economia
Terceirização achata rendimento médio do trabalhador alagoano
Em fevereiro deste ano, a jornalista Andréa Cavalcante viu seu salário recuar de R$ 2,6 mil para R$ 1,2 mil depois que empresa em que ela trabalha fechou a filial em Maceió. Para não ficar desempregada, ela teve que trocar o cargo de coordenadora de estratégias em Alagoas pelo de coordenadora de planejamento na matriz da empresa em Salvador (BA). Na prática, ela executa as mesmas funções que executava na capital alagoana. A diferença está na carteira de trabalho, que foi assinada como se a profissional fosse analista de comunicação, com o salário reduzido a menos da metade do que ganhava. ?Estou recebendo abaixo da média dos assessores de comunicação porque a agência alega que também perdeu clientes?, lamenta. O caso de Andréa Cavalcante não é isolado. ?Conheço muita gente que está nessa situação de ser contratado formalmente para um cargo, mas executa coisas de outro porque ?a empresa não pode pagar mais??, revela. Na média, a renda mensal do trabalhador formal alagoano até cresceu 2,33% na passagem de julho para agosto, segundo dados do Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged) divulgados na quinta-feira, 21, pelo Ministério do Trabalho e Emprego. De acordo com o levantamento, trabalhadores admitidos em agosto tiveram rendimento médio de R$ 1.195,63 contra R$ 1.168,43 ganho no mês anterior. Apesar da alta registrada pelo Caged, especialistas consultados pela reportagem preveem um achatamento de salário a partir de novembro, quando a reforma trabalhista entrar em vigor. Além disso, o desemprego em Alagoas, cuja taxa encerrou o segundo semestre em 15,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é um dos fatores que justificam a retração do ganho salarial no Estado, segundo os especialistas. ?Isso faz com que aumente o número de trabalhadores na informalidade, achatando a renda?, explica a economista Luciana Caetano. Segundo ela, quando se tem uma taxa de desemprego muito alta, há uma diminuição do poder de barganha do trabalhador e aumenta o poder do empregador.