Economia
Alta de preços da energia, gás e combustível penaliza assalariado
Esta semana foi marcada por sustos para os assalariados alagoanos. As surpresas começaram com o aumento de 6,9% no preço do botijão de gás de cozinha, e terminaram com a autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que a Eletrobras elevasse o preço da energia em 21,6%. Como o que afeta o bolso do consumidor naturalmente tem reflexo na economia, buscamos refletir o impacto desses percentuais na vida deles e no comércio. O economista e professor da Universidade Federal de Alagoas, (Ufal), Cícero Péricles, foi enfático em destacar que o ?primeiro impacto é na renda familiar dos segmentos mais pobres da população?. Isto porque, segundo ele, as despesas com alimentos e as contas do lar pesam mais que para os mais ricos. ?Um aumento recente de quase 7%, somado ao aumento no começo do mês de 12,2%, elevará significativamente o preço do botijão de gás. O mesmo ocorre nos gastos mensais com a energia elétrica, que subiu 21,5%. Estas duas contas elevam, em média, de 10% a 20% dessas despesas, retirando de maneira expressiva a renda domiciliar dos grupos C, D e E, ou seja, de 80% da população alagoana?, destacou Péricles. Para se ter uma ideia, num intervalo de 30 dias, o preço do gás de cozinha avançou de R$ 50 para R$ 61 e pode passar dos R$ 72. Mesmo tabelado, o valor sofre alterações em alguns bairros da capital, onde a predominância é para a revenda em mercadinhos ou pontos de distribuição. Como em alguns casos também está embutido o valor da entrega, o consumidor acaba pagando também pelo preço da comodidade. Na verdade, nos próximos dias, a renda de quem trabalha será afetada diretamente pelos custos domésticos e nos gastos fora de casa, principalmente para quem se alimenta em lanchonetes e restaurantes. Tudo porque os dois custos também afetam os pequenos comerciantes, resultando no aumento da inflação da baixa renda. ?O aumento destes dois elementos significa, por exemplo, que os produtos e os serviços de toda a rede de alimentação sofrem aumento ou, de alguma forma, diminui parte da margem de lucro das lanchonetes, bares, padarias e restaurantes, setor usuário intensivo de gás e energia elétrica, no qual, hoje, se alimentam milhares de trabalhadores assalariados urbanos?, aponta Cícero. Se os preços começarem a ser alterados para cima, a alternativa do trabalhador será aderir com mais intensidade à tradicional e ?velha? marmita, uma prática comum no campo, embora também sejam muito conhecidas nas cidades. Entretanto, com a crise econômica, algumas empesas que forneciam alimento ou pagavam em forma de tíquete-alimentação abandonaram a prática. Em outros casos, o vale-alimentação passou a ser usado pelo trabalhador nas compras de supermercados.