Economia
Assalariados não terão aumento real em 2018
O cenário a partir deste mês pode ficar mais nebuloso. Até agosto a crise era real, mas estava sendo administrada dentro do possível. Situação que deve ou pode ficar mais crítica, uma vez que a tendência de perda do poder de compra deve se refletir em 2018. ?O salário mínimo de 2018 será dessa forma a inflação do ano de 2017, prevista para 3%, mais o crescimento do PIB de 2016, que já sabemos que foi negativo (-3,6%). Nesse sentido, o trabalhador assalariado não terá aumento real, isto é, acima da inflação, pois o que garante desde 2008 aumentos reais no salário mínimo é o crescimento do PIB (podendo entender esse PIB como aumento de produtividade)?, analisou o economista Rômulo Sales. Ele também reconheceu que sem ganho real sobre o salário, os atuais aumentos que estão se consolidando vão exercer uma pressão ainda maior sobre a renda dos trabalhadores. Diante desta realidade e do ?exército de mão de obra? formada pelos desempregados, Rômulo lembra que essa oferta de pessoal também pode contribuir para a diminuição dos salários. ?Vale salientar que os salários não podem acompanhar os percentuais de aumento do gás e da energia elétrica, por exemplo, pois caso isso acontecesse, o impacto na inflação poderia ser ainda muito maior. Por isso que os ajustes salariais são sempre feitos de forma retroativa, o que eu não considero ?aumento?, mas sim uma recomposição da perda do poder de compra?, completou o economista.