Economia
Pescados somem da lagoa e geram prejuízo milionário para Alagoas
As maiores riquezas de um dos complexos lagunares mais importantes do Brasil acabaram, pelo menos de forma temporária. Abundantes até uma década atrás e tradicionais nas mesas de todas as classes sociais, pescados e mariscos sumiram, deixando órfãos mais de 5 mil pescadores e mais de 200 mil pessoas que, diretamente, dependem de alguma atividade econômica relacionada às lagoas Mundaú, Manguaba e Jequiá. Para suprir a carência, manter a renda e as raízes gastronômicas de Alagoas, a alternativa está sendo importar sururu, camarão e inúmeras espécies de peixe de outros estados do Nordeste e do Sudeste. O siri de coral, tão lembrado na culinária alagoana, desapareceu e não é encontrado na costa nordestina faz tempo. O impacto na economia é gigantesco diante da falência do complexo lagunar. O estado deixará de movimentar cerca de R$ 15 milhões este ano pela morte do sururu. Ouvidos pela Gazeta, especialistas explicaram que o volume de chuvas acima do normal e em um período longo, registrado nos últimos meses, comprometeu a reprodução da espécie. A pesca predatória, a poluição e o assoreamento das lagoas são outros fatores que arruinaram o ecossistema. O problema ambiental afetou também o maior polo gastronômico popular da Grande Maceió. Sem capital de giro, empresários da Massagueira são obrigados a dizer aos clientes que pratos típicos da terra estão em falta e sem perspectiva de oferta. Quando tem no estoque, o consumidor nem sabe que o produto não foi pescado em Alagoas, mas comprado fora. SURURU BAIANO Nos últimos seis meses o cenário se repete em vários trechos do Dique Estrada, na orla lagunar, periferia de Maceió. Quando as camionetas, abarrotadas de sururu fresco, chegam de viagem e estacionam nos meios-fios, uma espécie de frenesi toma conta da população local ? formada basicamente por pescadores e sururuzeiras. Desde o início do registro da história de Alagoas, as famílias do Vergel do Lago sempre conseguiram garantir o pão nosso de cada dia através das águas da mãe Lagoa Mundaú. Mas a fonte secou, os moluscos sumiram da mira e a comunidade precisou, pela primeira vez, apelar para a importação do molusco, que ainda é o símbolo número um da gastronomia alagoana e praticamente a única fonte de renda do bairro.