Economia
Fundação leva País a debater sobre o futuro
A transição da economia, não só por conta dos processos de produção que estão em movimento, mas principalmente por conta do modelo criado pela equipe econômica do ministro Henrique Meirelles, tem chamado a atenção da Fundação Perseu Abramo. Tanto que o seu presidente, o professor pós-doutor e economista Márcio Pochmann, tem rodado o Brasil para debater com lideranças sindicais e populares o cenário presente e suas perspectivas para o futuro. A maior preocupação envolve o abandono do modelo de inclusão dos mais pobres, em sua maioria desempregados, que agora estão sendo direcionados para o modelo de novos contratos apenas com o mínimo de direitos. Criadora da plataforma digital o ?Brasil que o povo quer? ? www.obrasilqueopovoquer.org.br ?, a fundação espera colher ideias e sugestões para submetê-las a estudos que apontem direções que se contraponham ao atual quadro. Segundo Márcio, o surgimento da plataforma e os debates são essenciais para entender a ?sociedade de serviços?, que ganha força em contraposição à sociedade urbana e industrial, que, por sua vez, foi um passo à frente da sociedade agrária. ?Construímos um Brasil diferente, associado à industrialização com muitas cidades, urbano, com uma ampla classe média assalariada e com um protagonismo da classe trabalhadora, e hoje temos uma sociedade com um novo tipo, porque, cada vez mais, tem sido esvaziado o papel da indústria, ao passo em que ampliamos os serviços?, pontuou. Conforme explica, essa mudança criou uma outra estrutura de funcionamento que questiona as instituições de representação de interesse que ?existiam na sociedade antiga?. Incluem-se aí os sindicatos, as associações patronais, os partidos políticos e até as associações de bairro, além das instituições da própria República, como o parlamento, a Justiça e o próprio Poder Executivo.