Economia
Sucesso da usina Serra Grande segue desde o século passado
A usina Serra Grande foi aberta em 1894 por Salvador Lyra e depois adquirida pelo empresário Luís Antônio Dias Lins, avô do atual proprietário, o pernambucano Luís Antônio de Andrade Bezerra. Já em seu primeiro ano de atividade sob a nova administração, bateu recorde de produção, segundo conta Fernando Evaristo. Atualmente a indústria produz açúcar e álcool para o mercado interno e energia elétrica vendida aqui mesmo em Alagoas para a distribuidora Eletrobras. Na lista de clientes, o maior deles, no caso do açúcar, é a multinacional Coca-Cola. A moagem da atual safra foi iniciada em 9 de outubro e, dependendo das chuvas, segundo a gerência, que podem atrapalhar na colheita da cana, deve prosseguir até o próximo mês de janeiro. O atual proprietário, Luís Antônio Bezerra, pernambucano que chegou a Alagoas em 1967, diz que naquela época era melhor ter usina em Alagoas do que em estados vizinhos como Pernambuco e a Paraíba, por causa da topografia, os grandes tabuleiros e pelo apoio que o governo concedia à época. Para ele, nos dias atuais, o quadro é outro. ?Hoje eu vejo o contrário. Apesar de em Alagoas termos um terminal açucareiro para a distribuição dos produtos via porto de Maceió, a sociedade é muito contra as usinas e o crédito presumido que o governo concede é de 3%, enquanto que em Pernambuco e na Paraíba chega a 9%. Antigamente era tudo favorável, hoje há uma certa inimizade?, assegura. Para ele, apesar da sociedade atual ter uma visão negativa do setor, a monocultura da cana-de-açúcar está presente há aproximadamente 500 anos, desde o descobrimento do Brasil, o que confirma ser uma atividade bem-sucedida e vocacionada para Alagoas. Como dificuldade para o setor, além do percentual do crédito presumido, o empresário cita a redução na safra, que após os últimos anos de seca caiu de 900 mil toneladas para 600 mil na Serra Grande. ?O fornecedor é descapitalizado e fica difícil acompanhar a carga tributária?, ressalta. Para ele, a reforma trabalhista aprovada pelo Congresso Nacional e que entra em vigor a partir do próximo dia 11 de novembro ?já é o início de solução?. Para Luís Antônio, no caso de usinas em processo de recuperação judicial ou que faliram, é preciso ter boa gestão, e falta liderança.O clima também é apontado por ele como fator que influencia diretamente no rendimento das usinas.