Economia
Pedido de recuperação causa tensão em cidade
Teotônio Vilela ? Apesar de a crise financeira da Usina Seresta não ser uma novidade para a população de Teotônio Vilela, o anúncio de que a empresa está em recuperação judicial está provocando tensão nos moradores da cidade. Entre os trabalhadores contratados para a moagem, há o receio de que voltem a acontecer atrasos salariais, como os que provocaram vários protestos e bloqueios de rodovias em anos anteriores; já para os comerciantes, é o fim das perspectivas de melhorias nas vendas neste fim de ano. Enquanto isso, a Seresta não informa qualquer detalhe sobre a negociação judicial para o pagamento dos credores. A Gazeta de Alagoas esteve na sede da empresa na última quarta-feira e o funcionário responsável se limitou a dizer que, como as negociações estão sendo feitas coletivamente e encabeçadas pela Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas, apenas a entidade pode se pronunciar sobre o assunto. Nenhuma informação isolada sobre a situação financeira da Seresta será divulgada. Devido a crise, agravada nos últimos cinco anos, a usina vem perdendo importância econômica para o município. Além da dívida em ISS com a prefeitura, a redução paulatina na quantidade de funcionários impactou na circulação de dinheiro no município. ?Ano a ano, a situação vem apenas piorando. Antes, no período em que a usina estava em atividade ? entre setembro e março ? o movimento no comércio era grande, as lojas tinham até mais funcionários. Hoje praticamente não há diferença entre a época da moagem e o resto do ano?, afirma a comerciante Andreia Cavalcante, do ramo de perfumaria e cosméticos. Ela teme que a situação fique ainda pior no próximo ano. ?Muita gente não acredita mais em melhoria, algumas até estão indo embora. Meu irmão é professor e ele disse que, nas últimas semanas, oito alunos saíram da escola porque estão se mudando com os pais para outras cidades?, afirmou.