Economia
Caos social é realidade em cidades
O pedido de recuperação judicial feito por sete usinas ligadas à Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas e aprovado pela Justiça já tem provocado efeitos devastadores nos municípios onde estão instaladas. Além da falta de perspectivas de recuperação, há atrasos no pagamento de salários de trabalhadores e muitas demissões. Na visão de usineiros que mantêm seus negócios em dia, todos de fora da cooperativa, o quadro tem contribuído para que o setor seja ainda mais hostilizado pela população. Prefeitos das localidades atingidas pelo mal desempenho das indústrias sentem os efeitos na arrecadação de suas cidades e apelam por soluções, mais uma vez, junto ao poder público. Diante desse cenário desolador, quem mais sofre são as famílias de trabalhadores, principalmente os milhares que foram desempregados com o fechamento de usinas, número que consequentemente deve aumentar, pois, entre as sete indústrias que entraram em recuperação judicial, há algumas praticamente com as atividades paralisadas, como é o caso da Destilaria Porto Alegre, localizada no município de Colônia Leopoldina, região Norte de Alagoas. Por lá, aproximadamente 2,5 mil empregados correm o risco iminente de demissão e, até a última quarta-feira, já estavam com sete meses de salários atrasados e fora de suas atividades. Também como reflexo da situação, trabalhadores que ainda moram em vilas criadas pelas usinas passaram a ficar expostos ao aumento da criminalidade. Até para se alimentar, dependem da ajuda de familiares. Outros, em busca da sobrevivência, passaram a atuar como terceirizados de empresas situadas em municípios de estados como São Paulo e Minas Gerais e, durante um período do ano, acabam ?exportados? como mão de obra alagoana.