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Agrot�xico pode causar puberdade precoce

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BLEINE OLIVEIRA Não há pesquisas ou quaisquer outros dados oficiais que indiquem até que ponto o alagoano está consumindo produtos com agrotóxico. Mas certamente a população de Alagoas também está sendo contaminada pelos diversos venenos aplicados nas lavouras brasileiras. Especialista em agroecologia e presidente do Movimento Minha Terra, o agrônomo Ricardo Ramalho é uma das poucas vozes que se levantam no Estado para condenar o uso de substâncias químicas na agricultura. ?O veneno está em tudo. E já começamos a sofrer as conseqüências dessa violência?, afirma ele, citando a puberdade precoce como um dos diversos danos provocados por alimentos produzidos em escala industrial, cuja base de crescimento são os aditivos químicos. Defensor intransigente da produção orgânica, Ricardo Ramalho junta-se ao coro de técnicos e ambientalistas que têm denunciado o crescimento do número de pessoas que apresentam reações adversas após o consumo de carnes (bovina e de aves), legumes e verduras produzidos à base de adubos químicos, hormônios, antibióticos e agrotóxicos. Antinatural Existem diferenças entre a produção hidropônica, que muitos julgam ser um processo natural na agricultura, e a produção orgânica. O método hidropônico é convencional, ou seja, também utiliza adubos químicos. Só a produção orgânica é cem por cento natural, buscando na própria natureza os elementos necessários à cultura de um alimento saudável e ao combate às pragas. ?Não utilizamos nenhuma química e nem venenos?, garante o agrônomo Ricardo Ramalho, ele próprio um produtor de frutas, hortaliças e aves pelo método da agroecologia. Naturalista convicto, o agrônomo alerta para os prejuízos e mudanças que o consumo de agrotóxicos e hormônios contidos em frutas, legumes, hortaliças e animais traz para a saúde humana. ?Vemos hoje meninos e meninas apresentando pêlos e outros sinais da puberdade numa fase bastante adiantada?, ilustra ele, ressaltando que a lista de problemas pode aumentar se forem considerados os riscos que enfrentam as pessoas cujo organismo, de tanto ser bombardeado pelos alimentos, criou resistência, por exemplo, aos antibióticos. Vaca louca Muita gente não sabe por que, ao tomar algum medicamento, o remédio não traz o resultado esperado. A causa pode estar na ingestão de alimentos com resíduos de antibióticos. ?A doença da vaca louca, registrada na Europa, é uma resposta da natureza a essa loucura que é a produção em escala industrial?, afirma o agrônomo alagoano. Ele explica que, no caso europeu, o problema surgiu porque os ingleses insistiram em transformar um animal naturalmente herbívoro (que se alimenta de folhas) em carnívoro. ?O resultado é o que vimos, a doença da vaca louca?, acrescenta Ramalho. Onde encontrar Mas, se fazem bem à saúde, os produtos orgânicos, livres de química e outros venenos, são um tormento para o bolso. Eles são reconhecidamente mais caros que aqueles vendidos em escala industrial e que estão em toda parte, da bodega do vizinho aos grandes supermercados e feiras livres. ?São mais caros porque é uma produção que contraria a lógica capitalista da produção em escala, onde um produto é sempre igual ao outro, tem prazo para se desenvolver e tamanho pré-determinado?, explica o agrônomo. Na produção orgânica, o tempo é determinado pela natureza, mas é perfeitamente possível produzir em quantidade para que o negócio seja lucrativo. Em Alagoas ainda há poucas experiências nessa área. Mas o consumidor pode encontrar produtores que se preocupam em trabalhar buscando formas de preservar a saúde e os princípios naturais. Exigência Há produtores orgânicos na Ilha do Ferro, em Pão de Açúcar, onde atua a organização não-governamental Visão Mundial; em Cacimbinhas, com um produtor de leite que adotou a prática natural; alguns poucos produtores de hortaliças em Arapiraca, e em Maceió. Na capital, produtores como Ricardo Ramalho, que tem um sítio em Guaxuma, produzem alimentos vendidos a restaurantes naturais, como o Nativa, na Pajuçara, e a consumidores por entrega direta. A dica para esses consumidores é exigir Certificação de Produtos Agroecológicos ou orgânicos. ?É preciso que o consumidor saiba a origem dos produtos para não comprar gato por lebre, ou seja, adquirir produtos convencionais que algum espertalhão esteja rotulando de orgânico?, alerta Ricardo Ramalho.

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