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‘Quando cheguei só tinha mato e esperança’

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Residente mais antigo do lugar, o aposentado Cícero João da Silva chegou ao Quilombo há mais de 50 anos. ?Eu vim aqui para trabalhar. Quando cheguei só tinha mato e tinha a esperança de ter mais prosperidade, já que a terra era muito mais vasta. Saí de um lugar com pouco espaço para vir para cá. Anos depois, o governo tomou conta e nós ficamos sem poder plantar mais nada?, conta o morador, ao fazer referência à decisão do Estado em tombar a Serra da Barriga e ao recordar o período em que cultivava mandioca, milho, feijão, inhame, laranja, e muitos outros alimentos nas terras de Zumbi. ?Depois que fomos proibidos de trabalhar na terra, muita gente foi embora daqui. Alguns até têm ainda a morada, mas passam muito tempo longe, inclusive fora do Estado, buscando sempre um meio de sobreviver. Aí eles mandam um dinheirinho para a família, que só tem basicamente a renda que vem do Bolsa Família?, contou Cícero João ao dizer que atualmente somente 16 famílias moram na Serra. A expectativa de acordar com a informação de que precisa deixar o Quilombo aflige o idoso. ?Se isso realmente acontecer eu vou chorar, porque vivi a maior parte dos meus anos aqui. Eu gosto desse lugar. É muito sossegado, um verdadeiro paraíso. A única vez que aqui fica complicado é, justamente, no dia 20 de novembro porque vem muita gente para cá e as pessoas invadem tudo. Quando eu olho já estão no meio do terreiro da minha casa, tirando as laranjas do pé. Não fosse isso, nunca teríamos nada para dizer daqui. Eu não sei porque a gente precisa sair. A gente não incomoda nada, mas, mesmo assim, querem tirar os moradores?, faz a crítica o senhor de 74 anos.

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