Economia
Artesanato garante sustento das famílias
A lição de produzir as peças com o barro, ao que parece, está sendo muito bem entendida. ?Se o Muquém não tivesse a arte da argila, as pessoas não viriam para cá. Eu e minha tia vamos dar continuidade a todo o trabalho feito pela minha vó. Eu quero prosseguir com a cultura iniciada por ela, mesmo sofrendo preconceito?, afirma a neta de dona Irineia, a adolescente Bianca Nunes. ?Muita gente não tem conhecimento e xinga as peças dizendo que é boneco de macumba, mas isso é pura ignorância. Eu tenho muito orgulho da cultura negra e vou seguir com o objetivo de perpetuar essa vivência?, ressalta. ?Quem tem a arte como eu tenho a minha, sobrevive melhor; mas, quem não tem, precisa ir trabalhar fora. Os homens vão para estados como Espírito Santo, Bahia e Goiás. De lá, eles mandam um trocado para as mulheres conseguirem sobreviver?, diz dona Irineia. Essa realidade é confirmada pelo Estudo Sobre as Comunidades Quilombolas de Alagoas, do professor e economista Cícero Péricles, que aponta cerca de 68 comunidades remanescentes certificadas e distribuídas em 35 municípios. Os dados mostram ainda que no universo de quilombolas alagoanos cadastrados no CadÚnico, verifica-se que 75% destes possuem renda familiar per capita de até R$77, ou seja, são considerados extremamente pobres. Outro dado revela que 86,9% da população está dentro da linha de pobreza e pobreza extrema.