Economia
AL chega a importar até 100% dos alimentos consumidos no Estado
O final de semana é o momento de reunir a família, quase sempre para o almoço. Em Alagoas, na maioria das mesas, em especial daqueles que moram na capital e área metropolitana, entre 70% e 90% do que vai para o prato vem de fora do Estado. Incluem-se aí não só alimentos de origem vegetal, mas também os industrializados. Nesse caso, segundo o economista Felippe Rocha, assessor econômico da Fecomércio, o percentual pode chegar aos 100%. Segundo revelou, as importações representaram R$ 280 milhões de reais ou U$ 83 milhões de dólares em 2016. Esse montante vale para os produtos semi-indrustializados e manufaturados. Além disso, o valor alcançado tem como base o câmbio do dia 31 de dezembro daquele ano, no qual U$ 1 dólar estava valendo R$ 3,35. ?Incluímos aí o alho e o trigo, que vêm da Argentina, azeites e todos os tipos de peixe?, observou o economista. A pedido da reportagem ele também foi em busca dos produtos oriundos da agricultura familiar, quase sempre integrantes da cesta básica. Nesse quesito, os dados são defasados, como mostra a tabela da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que monitora o consumo em todo o País. A última apuração é do ano de 2006, onde o Estado apareceu com um valor comercializado de R$ 206 milhões. O problema é tão sério que até quase toda a produção de laranja em Santana do Mundaú segue para o vizinho estado de Pernambuco. ?O pior é que acabamos, depois, importando o suco industrializado para garantir o consumo entre nós. Parece estranho, e de fato não parece normal, mas é o que acontece já há alguns anos?, revelou Felipe. Para os apreciadores de vinhos, parte vem do sul do País, mas a grande maioria, ou pelo menos os que mais agregam valor, são oriundos do Chile, Uruguai, Argentina e Europa.