Economia
Alagoas tem os pobres mais pobres do Brasil, revela pesquisa do FMI
A pobreza em Alagoas tem cheiro de madeira queimada, em substituição ao gás, que há muito, por causa do preço de R$ 75, sumiu da casa de muitos moradores do Conjunto Carminha, que integra o Complexo Habitacional no Benedito Bentes. É assim na casa da ex-empregada doméstica Josefa da Silva, de ?mais ou menos 50 anos?, como disse à reportagem. ?Vivo da misericórdia do povo da feira que me deixa pegar algumas coisinhas para comer. É isso, mais um pouco de feira que minha filha dá quando consegue fazer compras com o dinheiro do Bolsa Família. Ainda também debulho feijão de corda para ganhar um pouco para nós duas?, disse Josefa. Carne e frango ela diz que é luxo, mas que também não faz questão, porque não tem mais dentes para comer e a prótese que tinha se quebrou. Os R$ 120 que a filha recebe é por causa de dois filhos matriculados na rede municipal de educação. O complemento da feira dela vem do pai de um dos filhos, mas não é todo mês que isso acontece. PESQUISA A renda mensal da família é um pouco acima dos R$ 67, valor apontado como sendo a renda média dos 5% mais pobres de Alagoas, segundo a pesquisa ?Desigualdade no Brasil: Uma Perspectiva Regional?, divulgada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Nela, os pobres de Alagoas são mais pobres, por exemplo, que os 5% do Estado de Santa Catarina, que recebem em média R$ 258. O estudo revela ainda que os ricos daqui também fogem ao padrão nacional, que apresentam a maior renda mensal em Brasília, onde ganham R$ 12.191, contra os R$ 4.800, apontados como a média recebida pelos ricos alagoanos. Na prática, o texto aponta que nossos 5% mais ricos também são menos ricos que o mesmo percentual no restante do País. Mesmo assim, são pessoas que moram em áreas urbanizadas, na capital e região metropolitana.