Economia
Brasil reduz pouco as desigualdades de renda
Brasília, DF ? Apesar de arrecadar mais tributos que governos semelhantes, o Brasil é ineficaz em reduzir a desigualdade de renda na comparação com os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), informou o Ministério da Fazenda na sexta-feira, 8. Segundo o relatório Efeito Redistributivo da Política Fiscal, produzido pela Secretaria de Acompanhamento Econômico da pasta, o sistema tributário brasileiro funciona como um ?Robin Hood às avessas?, que tira do pobre para dar aos mais ricos. Produzido com base nos dados de 2015, o documento concluiu que o Brasil é o País mais desigual, antes e depois da cobrança de tributos e das transferências de renda, em relação às nações da OCDE ? grupo dos países mais industrializados ao qual o governo brasileiro fez pedido para ingressar. De acordo com o relatório, a baixa redistribuição de renda no Brasil não resulta de uma baixa arrecadação tributária, mas da forma que o Estado brasileiro cobra os tributos e devolve os recursos arrecadados para a sociedade na forma de serviços públicos. ?Vários países com carga tributária no mesmo patamar do Brasil têm desempenho redistributivo muito melhor, como, por exemplo, o Reino Unido, que tem praticamente a mesma carga tributária do Brasil?, destacou o texto. Em relação aos países latino-americanos que fazem parte da OCDE, o relatório constatou que somente o México e o Chile registram desigualdade de renda em níveis semelhantes (embora pouco menores) aos do Brasil após as transferências e os tributos. A Seae, porém, ressalta que a carga tributária ? peso dos tributos sobre a economia ? no Brasil é bastante superior à dos dois países.