Economia
Jaraguá jamais será o que foi
O professor, historiador e escritor Sávio de Almeida ? que ministra aulas de Formação do Espaço Alagoano para alunos do mestrado e doutorado da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) ? afirma que ?na certa a Prefeitura justifica a razão de dar este destaque a Jaraguá e não a outras áreas de Maceió. Nós somos, atualmente, resultado de três condições que merecem relevo: a distorção rural que incrementa a pressão populacional sobre a cidade; o modo como houve a distribuição espacial da população e o modo como a lógica imobiliária lidou com estes e os demais fatores que estrangulam a malha urbana de Maceió. Então, somos um vasto problema territorial, no qual Jaraguá é um mero componente?, explica. Na avaliação de Sávio de Almeida, há um grande débito de Maceió para com Jaraguá, especialmente por ele ter respondido pelo fundeadouro e por ter sido o locus do capital. Se Jaraguá já estava em evidência, Alagoas irá, rapidamente, se afunilando para ele, tanto pela performance econômica da exportação quanto pela política de ter a capital como demonstração das excelências da Província. ?Estes movimentos demonstram algo simples, mas importantíssimo: Jaraguá está para Maceió como relação e como tempo. Este foi o primeiro e talvez principal erro do que era a ideia de revitalizar Jaraguá. Ele foi tomado como algo em si, quando na realidade ele é uma relação. Não é que o passado inexista, mas a estratégia requer a atualização. Jaraguá jamais será o que foi, pois este quê-foi é um vazio. Ele agora é uma nova área, até mesmo diferente daquela em que se falou de revitalização. Não é preciso fazer força para perceber que jamais uma pessoa poderia pisar duas vezes no mesmo Jaraguá?, detalha.