Economia
Porto não atrai clientes de outros estados
Com tantas dificuldades para atender às atuais necessidades do mercado exportador local, o Porto de Maceió também não consegue atrair clientes de outros estados. Em geral, depois da ampliação do Porto de Suape, em Pernambuco, boa parte das transações comerciais alheias à produção de açúcar e álcool é feita no estado vizinho. Ao analisar a situação da unidade portuária alagoana, o economista Rômulo Sales não hesita em apontar suas dificuldades operacionais. ?O Porto de Maceió está realmente sucateado e precisa de investimentos. Não se consegue operar com graneleiros (fertilizantes, por exemplo) porque os guindastes do porto não funcionam. Qualquer operação neste sentido fica a mercê dos guindastes dos próprios navios?, revelou. Em relação à ausência do terminal de contêineres, que obriga a utilização do Suape, ele explica que isso implica, além dos custos inerentes à importação ou exportação, também o transporte. ?Tudo é descarregado lá e trazido por caminhão para Maceió. Um outro detalhe é que os galpões dedicados à armazenagem de cargas estão todos alugados e ocupados por empreiteiras?, destacou Rômulo. Ao analisar a queda brutal na balança comercial alagoana ao longo de quase duas décadas, saindo de UU$ 159,6 milhões no ano 2000, para U$ 20,5 milhões em 2017, Rômulo atribui o recuo à falta de infraestrutura do porto. ?Há uma especialização em movimentação de apenas uma mercadoria, o açúcar, que, diga-se de passagem, sua produção está em franca decadência, visto a quantidade de usinas que estão fechadas e em recuperação judicial. Quanto menos movimento no porto, mais a nossa economia perde. Toda a logística e seus encadeamentos para frente e para trás sofrem perdas?, disse Rômulo. Ele lembra que para cada navio que atraca, é necessária a contratação de lanchas, rebocadores, práticos, agência de navegação, fornecedores de suprimentos, amarradores, vigias portuários, além dos estivadores ? a depender da carga ? e operadores de máquina. ?Assim dá para se ter a ideia do montante de recursos que deixa de circular na economia e da quantidade de pessoas que ficam ociosas com a queda da movimentação de navios?, ressalta Rômulo.