Economia
Casas e planos funerários fazem corrida por imóveis no Tabuleiro
As imediações do novo prédio do Instituto Médico Legal de Alagoas, no bairro Cleto Marques Luz, no Tabuleiro do Martins, na parte alta de Maceió, era uma das regiões mais desvalorizadas. Hoje, continua sem infraestrutura urbana. Mesmo assim, é o novo alvo da cobiça dos empresários que vivem do negócio da morte. O local, até então, fazia parte da lista dos bairros mais violentos da cidade. Tanto que pequenos comércios ainda funcionam com grades, por causa dos assaltos que se multiplicam e das ameaças dos traficantes. A maioria das ruas é de barro, o saneamento básico é precário e quando chove forte a água suja invade as casas e inunda as principais vias, que não têm sistema de drenagem. ?Quando chove a gente fica ilhado?, lamentou a dona de casa Maria dos Anjos, que no temporal de maio passado perdeu parte dos eletrodomésticos e da mobília do quarto dos filhos. Antes da construção do IML, uma casa num terreno de cem metros quadrados (10m x 10m) naquela área custava em média R$ 25 mil. Quando a obra começou, o preço do imóvel simples mais que dobrou. Hoje, com o prédio do instituto na fase de acabamento, a mesma casa não sai por menos de R$ 160 mil, ou seja, em seis anos a valorização do imóvel passou dos 540%. O que provocou a valorização dos imóveis não foi só a construção do novo IML, que ainda não tem data definida para inauguração. A menos de cinco quilômetros está sendo construído o Hospital Metropolitano, que absorverá grande parte da demanda do Hospital Geral do Estado e deve gerar mais de 500 empregos diretos e indiretos. Não região tem também uma UPA e o Mini Pronto Socorro do Tabuleiro do Martins. Estes empreendimentos valorizaram o mercado imobiliário na região e estimularam a discreta corrida de empresários dos ramos de casas e planos funerários, de floricultura, de bares e restaurantes por imóveis até então desvalorizados. Eles começaram a comprar vilas de casas de arquitetura simples a preço mais em conta para demolir e implantar os novos estabelecimentos comerciais. Há dois anos, os moradores e pequenos comerciantes perceberam a movimentação e assédio dos empresários. Com o aumento da procura, os moradores passaram a fazer pequenos investimentos e reformas para valorizar e aumentar os preços dos imóveis.