Economia
Pesca ameaça reserva extrativista no Estado
Quem chega a Jequiá da Praia ? o município mais novo de Alagoas e localizado a 68 km de Maceió, pelo Litoral Sul do Estado ? depara-se com o Rio Jequiá, que divide a cidade em dois lados. O ambiente é característico: girais de madeiras montados pelos próprios pescadores, tarrafas postas sobre os barracos prontas para serem usadas e embarcações de pequeno porte que navegam sobre as águas. O cenário já evidencia a típica atividade que sustenta a tradição e a economia da população: a pesca. Mas essa pesca não começa e nem termina no Rio Jequiá. É na Lagoa Jequiá que os pescadores encontram sua maior fonte de renda. E não é para menos: ela abriga uma rica diversidade de espécies de peixes e é considerada uma das lagoas mais extensas e profundas do Brasil. Devido à sua importância socioambiental, desde 2001 ela é a única Reserva Extrativista Marinha (Resex) do Estado de Alagoas, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Governo Federal. O objetivo da Resex é o de equilibrar as necessidades da população com a preservação da Lagoa Jequiá. Entretanto, não foi suficiente para eliminar os impactos causados por anos de pesca desregrada e predatória. Pescar já não é mais como antigamente. O local chamado de ?Balança? ? que existia no Centro da cidade para medir a quantidade do pescado que era comercializado nas feiras e mercados ?já não existe mais; o comércio da espécie mais querida da região, a carapeba, não está em um dos seus melhores momentos. Está cada vez mais difícil viver da pesca em Jequiá da Praia.