Economia
Espécies nobres também desapareceram do rio Jequiá
Nilza Pinto Martins, de 40 anos, também é pescadora. Ela começou a atividade aos 15 anos, quando acompanhava os pais pela lagoa e conseguiam pescar peixes aos ?montes?. ?Antigamente a gente pescava e dava para sobreviver. Hoje, o que a gente consegue é só pra comprar o que comer no dia?, conta. O que lucra com a pesca é apenas uma renda complementar, aponta a pescadora, que mora com o esposo e o filho de 15 anos. As tarefas são divididas entre ela e o marido, José Marcelino. Agora, em processo de aposentadoria, ele fica responsável por tratar artesanalmente os instrumentos de pesca, e Nilza toma à frente da atividade. ?Lembro que quando eu pescava, eu pegava de cinco a seis peixes de uma só vez que jogava a tarrafa. Chegamos a pegar de 15 a 20 kg por dia. Teve um tempo que o peixe mandi ficava na beira da lagoa de tanto que tinha?, recorda Marcelino. Conscientes do manuseio sustentável da Lagoa Jequiá, Marcelino prepara a rede sempre em ?malha grande?, para a esposa pescar os peixes maiores, deixando os pequenos na água. Mas, eles sabem que há muitos pescadores que ainda se utilizam de práticas irregulares durante a atividade pesqueira, como o uso da rede de malha fina, a pesca de batida e de arpão. ?Eles acham que lucram desta forma, porque quando se pesca com essa rede, vem peixe de ?monte?, mas são todos pequenos, que deveriam ficar na lagoa para se reproduzirem depois?, reconhece Nilza, mesmo afirmando que há fiscalizações do Ibama ? Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. O problema da escassez de peixes e sua principal causa, a pesca predatória, também se estendem ao Rio Jequiá, que deságua na cidade, e desemboca no mar, no povoado de Duas Barras. Segundo os pescadores, a falta do principal recurso para sua subsistência vai do siri ao tradicional peixe carapeba. Além destas, outras espécies como carapicus, tainhas e camurins tiveram seus estoques reduzidos.