Economia
Sal�rio integral entre as perdas previstas no projeto do governo
O projeto de reforma previdenciária, que está em discussão no Congresso Nacional, inclui no debate o fim da garantia de salário integral e a fixação de um teto único igual ao do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para os futuros servidores públicos. Está proposto, também, o aumento da idade mínima e do tempo exigido para a aposentadoria. Pelas regras atuais, um professor pode se aposentar aos 53 anos. Com a reforma, terá de esperar até os 60 anos. As professoras podem ter a idade aumentada de 48 para 55 anos. Assustada com a possibilidade de ter prejuízo financeiro com a reforma previdenciária, a professora-doutora Maria Antonieta Albuquerque, da área de Educação da Universidade Federal de Alagoas, decidiu se aposentar aos 56 anos. Como ela, dezenas de outros docentes seguem o mesmo caminho, pressionados pelo projeto do governo. ?Essa é mais uma contradição do sistema de educação, que não valoriza o docente e o obriga a se aposentar no auge da sua potencialidade?, afirma ela. Se nos últimos anos os docentes têm sofrido com a completa ausência de uma política de valorização, especialmente salarial, a pressão aumenta com os prováveis danos ao funcionalismo gerados pela proposta de reforma. Para Maria Antonieta, estudantes, governo e sociedade devem ficar atentos aos prejuízos que essa corrida pela aposentadoria vai trazer. O ensino superior perderá qualidade. Afinal, mesmo substituídos, os professores que se aposentam já alcançaram um nível de conhecimento e experiência que não pode ser inutilizado ou descartado como vem ocorrendo em todo o País.