Economia
Seca prolongada reduz produção dos apicultores alagoanos em 60%
Alagoas produz mel, própolis vermelha, geleia, cera de abelhas com ferrão (Apis Melífera) e sem ferrão (Meliponíneas). A produção é garantida por 700 apicultores ligados a quatro cooperativas e cerca de 20 associações de micro e pequenos produtores. O total da produção é desconhecida porque a cadeia produtiva ficou praticamente esfacelada por causa dos últimos sete anos de estiagem prolongada em todo o Estado. ?A gente não sabe qual é a produção atual dos nossos apicultores porque a longa estiagem comprometeu a cadeia produtiva, reduziu drasticamente a produção e acabou com boa parte das colmeias?, disse um dos diretores da Cooperativa de Apicultores e Meliponicultores de Alagoas (Coopmel), Mário Agra. A entidade que congrega 180 apicultores é presidida pelo apicultor Reginaldo Lira, ex-sindicalista e militante de movimentos agrários. Com o fim da estiagem, o setor trabalha para superar um dos momentos mais difíceis. Tanto que os apicultores solicitaram reunião urgente com o novo Secretário Estadual da Agricultura, Antônio Dias Santiago. Eles querem iniciar o levantamento técnico e tentam conseguir apoio e assistência técnica para recuperar a produção. A estiagem reduziu em mais de 60% a produção dos apiários. Antes da seca, Alagoas produzia 180 toneladas de mel ao ano. Deste montante, a Coopmel produzia 80 toneladas e quase uma tonelada de própolis vermelha. Além de mel e própolis vermelha, os meliponicultores produzem um tipo de mel diferenciado. O mel de abelha Uruçu, da Jataí, da Manda Saia e outras nativas ? sem ferrão ? tem valor bem superior ao mel da abelha Ápis Melífer, as abelhas africanizadas que apareceram no final da década de 1950. De acordo com o apicultor Mário Agra, hoje, Alagoas tem autorização para explorar 12 espécies de abelhas. Ápis é um tipo só. Para as nativas, o fator limitante das espécies é o climático e de vegetação. Algumas espécies de abelhas que vivem nas zonas da mata e litorâneas não são encontradas no agreste e nem no sertão.