Economia
Picolé de biscoito de Paulo Jacinto
O que é picolé de biscoito? Quem mora no interior de Alagoas, principalmente aquelas pessoas do Agreste e do Sertão, tem a resposta na ponta da língua: é a memória da infância. O sabor é o das feiras, dos sítios, das tardes de sábado e domingo nas praças. O picolé faz parte das lembranças de muita gente famosa e simples. Mais que isto: é um negócio lucrativo, que movimenta a economia informal de pequenas cidades do semiárido. Esta é mais uma história centenária de sucesso da economia informal no interior de Alagoas. Além de resistir ao tempo, sobrevive às pressões das grandes indústrias de sorvetes do País e tenta manter a sua fórmula original como segredo bem guardado. Neste momento, o picolé ganha mercado até em bairro da periferia de Maceió. Os ingredientes são conhecidos: gordura hidrogenada, leite natural, açúcar, sal, bases e ligas emulsificantes e fundamentalmente biscoito tipo maria ou maisena. O segredo está na mistura e na quantidade prevista para cada litro de leite e quilo de biscoito. ?Para aumentar o lucro, os poucos fabricantes da fórmula original misturam água no leite, usam produtos de qualidades inferiores e não usam o tempo certo de descanso da mistura principal?, revelou o microempresário Luiz Costa de Lima, de 76 anos, mais conhecido como Luiz Romão, um dos pioneiros na fabricação. ?Mesmo assim, o picolé de biscoito ainda faz muito sucesso nas cidades do interior e domina este mercado?, garante o microempresário. Não há registro oficial relativo ao primeiro fabricante do produto no Estado. Sabe-se, no entanto, que um dos capítulos mais interessantes começa no município de Paulo Jacinto, na microrregião de Palmeira dos Índios. A cidade de 7.426 habitantes (IBGE) tem como o principal produto da economia a pecuária. Até o início dos anos 1950, o município era um distrito da região de Quebrângulo. Na parte central do pequeno povoado morava o comerciante José Chaves, o visionário proprietário do Armazém Vitória.