Economia
TCU corta R$ 215 milhões de obras
Senador Rui Palmeira ? A poeira sobe no meio da caatinga do alto Sertão entre os municípios de senador Rui Palmeira e São José da Tapera. O barulho de máquinas trabalhando quebra o silêncio. É a retomada das obras do Canal do Sertão, disse o trabalhador rural Cícero José dos Santos, de Canapi, que tem dois filhos empregados na obra. A obra foi retomada depois que a Odebrecht aceitou a redução de 10% dos preços cobrados para a construção do trecho quatro do canal. Isto ocorreu depois que a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) detectou irregularidades e superfaturamento nos cálculos da construção dos trechos quatro e cinco da obra. A repactuação dos dois trechos proporciona uma economia de R$ 215 milhões aos cofres federais. As duas empreiteiras que venceram a licitação para a construção dos trechos ? Odebrecht e Queiroz Galvão ? aceitaram a redução de 10% dos custos e estão tocando a obra hídrica mais importante de Alagoas e a segundo mais importante do País, que ameaçava parar por causa de irregularidades. Esta região do alto Sertão enfrenta os horrores de seis anos de estiagem. Hoje há um clima de euforia com a retomada das obras e chegada de dezenas de operários. O comércio das cidades próximas está aquecido. Mais de 800 operários da construção civil estão sendo contratados para trabalhar na retomada do trecho quatro do Canal de Sertão. A maioria já está na folha de pagamento da Odebrecht e vem dos Estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco e de municípios do Sertão de Alagoas. O pequeno comércio dos municípios vizinhos comemora o movimento dos trabalhadores, disse o comerciante José Alfredo da Silva que vende queijo em São José da Tapera. ?Além de reduzir o desemprego aqui no Sertão, a construção do canal movimenta os hotéis, os restaurantes, as fabriquetas de queijo e todo o comércio da nossa região?. A chuva do início do mês animou os agricultores. Mas foi insuficiente para encher os barreiros e minimizar os efeitos dos seis anos de seca. A terra continua árida. A obra hídrica mais importante do estado é a esperança de melhores dias para mais de 500 mil famílias, como a da agricultora Samara dos Santos, casada com o agricultor Ivaldo Barbosa da Silva, que também trabalha na construção do canal. O casal planta feijão, milho e outras culturas de subsistência. Apesar de morar a 500 metros do canal, há mais de quatro anos o que plantam não é suficiente nem para comer. ?A seca acaba com tudo. Agora, com este canal aqui pertinho, a gente vai ter água para plantar e criar alguns animais?, acredita Samara. Após repactuação, operários e máquinas trabalham nas obras do trecho 4 do Canal do Sertão, no município de Senador Rui Palmeira. FOTO: JOSÉ FEITOSA