Economia
Cresce trabalho não remunerado, diz IBGE
Enquanto o mercado de trabalho brasileiro atingiu os piores indicadores dos últimos anos em 2017, o País viu aumentar em 7 milhões o número de pessoas envolvidas em formas de trabalho não remunerado. É o que aponta uma pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa mostra que, somadas as quatro formas de trabalho ? produção para próprio consumo; cuidados de pessoas; afazeres domésticos; e trabalho voluntário ?, em 2017 havia 146,3 milhões de pessoas se dedicando a pelo menos uma delas. No ano anterior, este número era de 139,2 milhões. O aumento ocorreu em todas as grandes regiões do País. O levantamento aponta que, dentre as 7 milhões de pessoas que passaram a se dedicar ao trabalho não remunerado, 3,7 milhões tinham alguma ocupação no mercado, enquanto as outras 3,3 milhões estavam desocupadas. Além disso, revela que 4,4 milhões eram homens e 2,6 milhões mulheres. ?Houve um aumento generalizado de todas essas outras formas de trabalho?, afirmou a analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Alessandra Brito. Dentre as quatro formas de trabalho, a que mais registrou aumento na participação foi a de afazeres domésticos. Foram 6,8 milhões de pessoas a mais se dedicando a essas atividades, das quais 4,3 milhões eram homens e 2,5 milhões mulheres. A pesquisadora ponderou que a análise das outras formas de trabalho começou a ser feita pelo IBGE em 2016, por isso não há uma série histórica que ajude a compreender melhor as alterações ocorridas. ?Como a gente está comparando só dois anos, é um curto espaço de tempo para relacionar com alguma mudança estrutural relacionada à consciência dos homens [se passaram a colaborar mais com as mulheres em casa]. Também não podemos apontar que houve mudança conjuntural, já que a conjuntura [econômica] de 2016 para 2017 não ficou muito diferente?, destacou.