Economia
Queda da renda acontece em momento de inflação contida
A queda da renda disponível, depois de descontados os itens essenciais, ocorre num momento de inflação comportada e uma lenta retomada da massa salarial. ?Mas o que percebemos é que essa melhora não tem sido linear?, afirma o economista da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio), Guilherme Almeida. Ele destaca que o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) mostra que, para as famílias com renda de até dez salários mínimos, a situação é pior do que para quem tem um rendimento maior. ?Nesses casos, ainda há dificuldade de aumento de consumo.? O professor do Insper, Fernando Ribeiro Leite, explica que isso é reflexo do endividamento do brasileiro durante os anos de bonança. Ele observa que, depois de descontados os itens essenciais, a renda disponível do brasileiro é usada para pagar as dívidas. Até janeiro, o nível de endividamento das famílias estava em 41,1%, segundo dados do Banco Central. ?O País tem uma baixa poupança uma vez que as famílias alocam um porcentual maior da renda para a desalavancagem (redução da dívida). Isso reduz ainda mais a renda para consumo.? Outro dado que reforça essa tese é que o crescimento da massa salarial no primeiro trimestre deste ano foi puxado pelo aumento do número de pessoas que entrou no mercado de trabalho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ou seja, uma das principais prioridades desses trabalhadores que arrumam emprego depois de passar um tempo desempregados é pagar as dívidas em atraso, e não consumir.