Economia
Maioria dos municípios está com deficit no regime previdenciário
Aposentar-se nos municípios alagoanos que têm seu regime próprio de previdência pode se tornar um drama para os servidores. Devido à má gestão ao longo longo dos anos, os regimes de previdência própria estão falidos ou prestes a isso. Estudo da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Alagoas, que acompanha o segmento desde 2003, aponta que a ?quebradeira geral? vai penalizar milhares de trabalhadores. Somados, os desvios investigados até aqui pelo Ministério Público ultrapassam os R$ 100 milhões. Em alguns casos, o atraso de pagamento já ocorre desde antes do fim da gestão dos atuais prefeitos. O maior temor é que o caos econômico se instale por grande parte dos municípios do interior na próxima década. Os números revelam que atualmente 132 mil pessoas dependem dos fundos municipais, e que outros 83 mil servidores da ativa contribuem com 11% ao mês, descontado em folha. Em Alagoas, dos 102 municípios, 68 criaram seus regimes próprios. Desse total, a maioria está com recursos em caixa insuficientes para garantir os pagamento de pensões e aposentadorias. Especialista no assunto, o diretor de formação da CUT e ex-presidente da entidade, Izac Jacson (foto), acredita que a situação atual vai gerar um caos no futuro. ?O problema dos fundos previdenciários é de gestão. De 1994 para cá, a maioria dos prefeitos criou os fundos para não pagar ao INSS [Instituto Nacional do Seguro Social] ? o regime geral que era descontado direto na fonte ? para ter a governabilidade desse repasse. A partir daí deixaram de aportar aquilo que era a parte do empregador. E não são poucas às vezes em que fizeram do servidor e não repassaram. Dos 102 municípios, 68 têm regime próprio de previdência. Destes, com raríssimas exceções, a maioria está quebrada?, revelou Izac.