Economia
A gente leva pressão de todo lado, diz motorista
Enquanto conversava com a reportagem, Gilmar Santos chamou a atenção para o estado dos pneus do seu caminhão ? mas pediu para que não fosse fotografado, porque sabe que se for parado numa blitz só poderá sair quando substituir os pneus carecas. ?Sei que é arriscado trabalhar com os pneus nesse estado, principalmente se chover muito, mas não tem outro jeito. Cada um custa R$ 2 mil e quatro deles precisam ser trocados, mas eu não tenho de onde tirar esse dinheiro?, afirmou. A situação dos caminhoneiros que fazem viagens mais longas é ainda mais complicada. O caminhoneiro Francisco Farias do Nascimento tem 58 anos e até o ano passado trabalhava para uma transportadora. Ele afirma que pediu demissão em decorrência de problemas de saúde provocados pelo estresse. ?Antigamente tinha aquela história de que vida de caminhoneiro era uma aventura, mas hoje só os novatos acreditam nisso. A gente leva pressão de todo lado, tem que cumprir um horário de entrega que obriga a gente a correr pelas estradas ou a dirigir mesmo cansado, tem a humilhação que a gente passa nas fiscalizações e até nos postos de combustíveis quando a gente estaciona para dormir. Depois, quando chegamos, ainda levamos gritos e, cansados somos obrigados a descarregar o caminhão. Essas são as ?aventuras? que a gente vive?, conta.