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Trabalhadores alagoanos não se programam para aposentadoria

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A vida à beira da lagoa esconde nos barracos a angústia de homens e mulheres que não sabem quando poderão se aposentar. O sururu, única fonte de renda e principal alimento, é despinicado para retirada da casca e vendido ao preço de R$ 3 a lata. Eles se enquadram na realidade nacional em que oito de cada dez pessoas não se programam para a aposentadoria. As razões são as mais variadas, mas a principal é falta de condições de juntar algum dinheiro. No caso de quem vive da retirada do sururu, a realidade é simples de contar. Sentados ou em pé, à beira da estrada, em pequenas tendas enfumaçadas, cada marisqueiro consegue encher quatro ou cinco latas, o que dá, ao fim do dia, no máximo R$ 15. A maioria faz isso a semana inteira, mas há quem não fuja à rotina até no sábado. Não há planejamento financeiro, apenas a necessidade de garantir a refeição do dia. Catar marisco é um atividade cansativa e de pouco rendimento, que fica muito abaixo da renda média de R$ 658 observada em Alagoas no ano passado. Segundo o economista Rômulo Sales, que pesquisou a situação por aqui, os dados revelam que até março de 2018 foram concedidos 6.239 benefícios para os alagoanos, o equivalente a R$ 7,4 milhões. ?Conforme o que apuramos, 73% são equivalentes a um salário mínimo, contudo, o valor médio de todos os benefícios chega a superar o salário mínimo atual em R$ 232,62. Então, estando aposentado ou recebendo algum benefício, ganha-se em média mais do que estando na ativa?, concluiu Rômulo.

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