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Sobrevivência é prioridade para marisqueiros

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Quando a chuva calha de vir com o aumento da maré, quase sempre a água avança para as casas feitas com restos de compensado, papelão, alumínio e plástico na favela Sururu de Capote. Além disso, a energia elétrica se resume a um ou dois pontos de luz, feitos a partir de gambiarras onde também se ligam a televisão ou o ventilador. É assim que vive o ex-operário da construção civil Cícero Quirino da Silva, 61 anos. Depois de uma vida que começou com a exploração do trabalho na adolescência, na clandestinidade, em Chã Preta, chegou a Maceió há quase 20 anos. Antes, passou pela indústria da cana, nem sempre com carteira assinada. O último trabalho formal acabou em 2014. ?Vivo de biscate e de despinicar o sururu. Tentei me aposentar, mas a informação é que estou sem dez meses de contribuição. Busquei um advogado, mas até agora não tive resposta?, contou Cícero, no quarto de pouco mais de 8 metros quadrados onde descansa. ?Mas é o tempo todo de olho na lagoa?, ressaltou. ?Quando chove muito tem que ficar atento porque a água vem por baixo?. Ele diz que, se conseguir se aposentar, a primeira coisa que faria era morar numa casa de tijolo. A comida só não falta porque a principal refeição do dia, que é o o seu almoço, é dada pela Igreja Católica, por meio do projeto social do Instituto Servir.

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