Economia
Recessão do País faz lucro da feira recuar
A amendoeira da rua Francisco de Menezes ainda está lá e faz sombra para os antigos comerciantes que resistem no ponto tradicional da Feira do Passarinho. Waldomiro Possidônio dos Santos, de 70 anos, pai de 13 filhos, casado e com relacionamento com oito mulheres, começou a trabalhar na feira do passarinho numa ?banquinha? como ajudante da mãe e também comerciante, Palmira Maria da Conceição. O dinheiro que ganhava ajudava sustentar os seis irmãos. O primeiro negócio dele foi cachorro quente. ?Cheguei a vender 9 mil passaportes (cachorro quente típico de Alagoas) por mês. Com o dinheiro que ganhei comprei uma casa boa para minha mãe, a minha casa, um carro bom, sustentava as minhas farras, minhas mulheres e ajudava os filhos. Até a minha aposentadoria da Previdência Social veio daqui?. Quando fala dos filhos, Waldomiro chora. Cinco deles morreram porque se envolveram com o tráfico de drogas, foram assassinados pelos traficantes. ?Aqueles filhos que não quiseram estudar chamei para trabalhar comigo na feira. Os que foram assassinados queriam ganhar muito dinheiro rápido e fácil. Não ouviram meus conselhos [pausa por causa do choro], contraíram dívidas com o tráfico e pagaram com a vida?, lamentou. Como a maioria dos comerciantes, Waldomiro chega diariamente às cinco da manhã e abre o pequeno ponto onde vende cachorro quente, café, bebidas (cachaça) e na frente da barraca mantém uma carrocinha onde comercializa CDs piratas. Antes da crise, faturava mais de R$ 10 mil por mês, hoje tem dificuldade para conseguir R$ 3 mil/mês. ?A gente não vende mais como antigamente. Tem muitos desempregados, diminui a circulação de dinheiro e a maioria que trabalhava aqui foi transferida para o prédio da Ceasa (distante 500 metros, onde agora funciona a nova Feira do Passarinho). O movimento caiu muito?, reclama.