Economia
Benedito Bentes sobrevive à crise
A grande rede comercial do complexo Benedito Bentes é heterogênea, bem como a sua divisão social e suas desigualdades de renda. Super e minimercados, lojas de vestuário, açougues, bancos, faculdades particulares, bares, galerias, armarinhos e muitas outras atividades localizadas às margens das ruas que veem mais de 90 mil habitantes, de maioria pobre, transitarem todos os dias. O setor de comércio e serviços é o grande segmento econômico do ?Biu?, que se tornou também um grande empregador, por duas razões: as suas pequenas e médias empresas ? como oficinas, escritórios, mercadinhos, bares ? utilizam muita mão de obra, contratam mais que as indústrias; e, segundo, porque este setor emprega trabalhadores menos qualificados, que são em grande número naquela área. ?O comércio é a porta de entrada desse tipo de mão de obra no mercado de trabalho e uma rede comercial e de serviços com essa configuração está sempre contratando funcionários?, pontua o economista Cícero Péricles. Neste contexto de empregabilidade, mesmo os estabelecimentos menores contratam ao menos dois funcionários para suprir a demanda de clientes. ?No comércio daqui nunca houve uma queda, muito pelo contrário. No fim de 2017, fechamos como um dos melhores anos pra gente. A tendência é crescer porque o bairro segue em expansão. Hoje, já estamos estudando abrir franquias pelo Biu, porque a demanda vem sendo maior a cada dia. Atualmente, contamos com quatro funcionários na loja?, disse Alan Silva, proprietário de uma loja de móveis. O crescimento comercial do Benedito Bentes acompanha a evolução demográfica de um bairro com quase quatro décadas de implantação. Nas duas últimas, a rede comercial e de serviços teve um impulso muito grande em decorrência da elevação da renda popular, dos chamados segmentos C, D e E de consumo. ?Essa renda cresceu muito rapidamente com a elevação do salário mínimo, com a ampliação dos benefícios previdenciários ? que também tem no salário básico nacional sua referência ? e com a entrada do programa Bolsa Família?, disse Péricles. Tais circunstâncias criaram um ambiente muito favorável aos negócios das pequenas e médias empresas, principalmente às voltadas ao atendimento do consumo popular ? alimentos, vestuário, movelaria e material de construção. E, de acordo com o economista, ?muitas empresas familiares, micro e pequenas, ganharam corpo neste período, sobreviveram bem à crise e estão capacitadas a continuar crescendo, mesmo com a perda de velocidade no crescimento da renda dos segmentos mais pobres?. Leia mais na página A10 * Sob supervisão da editoria de Economia.