Economia
Leilão pode ficar para próximo ano
As discussões em torno da privatização de seis distribuidoras de energia da Eletrobras podem atrasar a desestatização da empresa, disse o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia. Em viagem aos Estados Unidos na quinta-feira, 21, ele declarou que o cronograma está cada vez mais apertado para que a venda da estatal saia ainda em 2018. ?Existe sim, a possibilidade de [a privatização da Eletrobras] não ocorrer este ano. Os prazos estão mais curtos para fazer uma operação este ano, e a gente ainda não aprovou a lei de privatização das distribuidoras?, disse o ministro depois de participar de reuniões em Washington. O áudio da entrevista foi divulgado pela assessoria do ministério. Guardia ressaltou que a privatização das distribuidoras estaduais deficitárias ? a maioria na Região Nordeste ? é precondição para a operação de capitalização da Eletrobras. A desestatização da empresa do setor elétrico deve render até R$ 12,2 bilhões ao governo apenas com o pagamento da concessão de hidrelétricas da estatal pelo futuro controlador. ?Existe uma sequência lógica que não pode ser invertida. Antes de falarmos da capitalização da Eletrobras, precisamos viabilizar a privatização das distribuidoras. Esta é uma precondição para falar de qualquer operação com Eletrobras, e ainda não conseguimos?, declarou o ministro. Enviado ao Congresso no início do ano, o projeto de lei que permite a privatização das distribuidoras tramita na Câmara dos Deputados, mas a comissão especial que discute a proposta não se reúne desde maio. O projeto repassa aos fundos setoriais ? que estão incluídos na conta de luz ? a dívida bilionária das distribuidoras. A transferência dos débitos para os consumidores é vista pelo governo como condição essencial para atrair investidores privados aos leilões. O requerimento de urgência do projeto não foi votado na quarta, 20, na Câmara. Originalmente, os leilões das distribuidoras estão marcados para 26 de julho.