Economia
Gasolina de Macei� � a mais cara do Nordeste
EDIVALDO JUNIOR O dólar cai, o preço do petróleo no mercado internacional recua, mas no Brasil o valor da gasolina ? o combustível de maior consumo no País, não dá sinais de que vai recuar. O quadro é de absoluta estabilidade na maioria dos Estados. A média da gasolina vendida em Alagoas ? a segunda mais cara do Nordeste - é de R$ 2,307 por litro, atrás apenas do Piauí, R$ 2,316 (veja tabela). Esses são os dados disponíveis da última pesquisa de preços da ANP (Agência Nacional do Petróleo), realizada no período de 6 a 12 de abril. Nas últimas três semanas, o preço da gasolina em Alagoas ficou quase estável. A variação entre a segunda semana de março e a segunda semana de abril foi de apenas R$ 0,006 ? ou seja, menos de um centavo: o preço médio caiu de R$ 2,313 para R$ 2,307. Em relação a média do Nordeste (R$ 2,201), o alagoano está pagando cerca de R$ 0,10 a mais por litro de gasolina. O preço médio do combustível no País, segundo a ANP é de R$ 2,197. O Estado também aparece no ranking da região como segundo mais caro no de preço do gás de cozinha (GLP). Em Alagoas, o botijão de R$ 13 kg é vendido, em média, por R$ 31,55, atrás apenas do Maranhão (R$ 31,76). Os menores preços do GLP são encontrados em Pernambuco (R$ 27,86) e no Ceará (R$ 29,12). A média de preço da gasolina em Maceió é ainda mais alta, se comparada com as demais capitais do Nordeste. Em Maceió, o combustível sai em torno de R$ 2,333, seguido de Teresina (R$ 2,300); João Pessoa (R$ 2,276); Natal (R$ 2,192); Aracaju (R$ 2,141); São Luiz (R$ 2,136); Salvador (R$ 2,111); Fortaleza (R$ 2,089) e Recife (R$ 2,017). A diferença de preços entre aa capital com gasolina mais cara (Maceió) e a mais barata (Recife) chega a R$ 0,316 ou 15,6%. Ou seja, para encher um tanque de um carro de 45 litros o maceioense gasta cerca de R$ 104,98 e o recifense R$ 90,76. Uma diferença de R$ 14. O preço alto é explicado pelo maior custo de transporte (Maceió é mais distantes de refinarias do que as cidades do Centro Sul, por exemplo) e principalmente pela galonagem dos postos da cidade, que é uma das menores do País. A Galonagem é o padrão utilizada pelos postos. Em Maceió, a média é de 80 mil litros/mês por cada revendedor. Em Aracaju, essa média é de 200 mil litros/mês e em Salvador é de 250 mil litros/mês. Segundo o Sindicombustíveis (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de Alagoas), uma galonagem menor, significa custos maiores para o revendedor. E esses custo terminam sendo repassados para os consumidores. Segundo o presidente do Sindicombustíveis, Mário Jorge Uchoa a cidade tem postos demais. São 225. Quase a mesma quantidade que Salvador (250), cidade com um população de três a quatro vezes maior que a de Maceió. A origem do problema é o político: a prefeitura deu concessões demais. Se a distância eleva o preço da gasolina, ao menos serve para diminuir o do álcool, cujo consumo tem aumentado nos últimos meses. De acordo com a ANP, o preço médio do litro de álcool nos postos de Alagoas é de R$ 1,582, o segundo menor da região. Valor médio mais baixo só é encontrado em Pernambuco (R$ 1,551) e Paraíba (R$ 1,575), Estados que, assim como Alagoas, são produtores de álcool. O valor médio mais alto é encontrado no Piauí (R$ 1,912). No caso do diesel, o preço médio de Alagoas (R$ 1,509) é também o segundo menor. Só Pernambuco (R$ 1,467), tem média menor. Alagoas tem ainda o menor preço do Gás Natural Veicular (GNV), com média de R$ 1,026. /// Governo vai manter preço dos combustíveis Rio - O preço dos combustíveis ficará inalterado por enquanto, apesar de o mercado estimar que seja possível uma queda para o consumidor final entre 7% e 10% no preço da gasolina e até 15% no valor do diesel, devido à mudança cambial e também à queda do preço internacional do petróleo. Mas, enquanto o cenário externo não estiver satisfatoriamente definido, o governo não interferirá na política de preços, informou o secretário executivo do Ministério das Minas e Energia, Maurício Tolmasquim. ?O governo precisa saber o quanto dessa queda de preço lá fora é estrutural. Ou seja, ter uma noção de qual será o preço de equilíbrio no qual o mercado se estabilizará. Se ficar comprovado que isso é estrutural, claro que o preço aqui também vai baixar, mas temos de evitar o efeito ioiô?, disse. Tolmasquim lembrou, também, que a Petrobras já teve muito prejuízo devido à manutenção do preço doméstico num longo período de alta internacional. A avaliação, no entanto, não é compartilhada por alguns especialistas que alegam que a Petrobras já repôs, com folga, o que perdeu. Segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), se o dólar continuar oscilando entre R$ 3,00 e R$ 3,20 até o final do mês e o barril de petróleo se mantiver entre US$ 25 e US$ 28, a estatal fechará o mês de abril com um lucro de R$ 600 milhões, depois de zerar o prejuízo de quase R$ 1 bilhão registrado dois primeiros meses do ano, quando o barril de petróleo foi às alturas devido às expectativas pré-guerra. Somente nos primeiros 15 dias de abril, a Petrobras já faturou a mais R$ 340 milhões com esta diferença dos preços. ?Isso é um lucro de monopólio. É um lucro que a Petrobras só garante por conta da indefinição de uma política de preços do governo. Se a política de preços estivesse bem definida, essa medida estimularia a importação de gasolina diretamente pelas tradings, mas quem é o louco que se compromete no atual cenário indefinido a comprar lá fora um navio carregado de gasolina, se está arriscado a ter no Brasil preços inferiores ao do mercado internacional quando este carregamento chegar em 30 dias??, questiona Adriano Pires, diretor do CBIE.