Economia
Canal do Sertão: irrigação não sai do papel
A primeira e mais importante obra hídrica do País é a da Transposição do Rio São Francisco, que promete amenizar o drama da seca no Nordeste através de dois canais que levam água do Velho Chico para o semiárido de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. O Canal do Sertão em Alagoas é a segunda maior obra hídrica do Brasil e começou a ser idealizada no então governo de Geraldo Bulhões, em 1990. Inicialmente se esperava gastar algo em torno de R$ 600 milhões na construção de 250 quilômetros de canal. De lá para cá, a obra já engoliu cerca de R$ 2,5 bilhões em 113 quilômetros. Para a sua conclusão, a Secretaria Estadual de Infraestrutura prevê gastar mais R$ 2,5 bilhões. Hoje, o governo de Alagoas retira água no braço do rio que fica na região do Moxotó, no município de Delmiro Gouveia (distante 294 quilômetros da Maceió) e leva até o município de Pão de Açúcar, distante 236 quilômetros da capital. Neste momento dramático de estiagem prolongada naquela região, os projetos de irrigação e de usos múltiplos do canal ainda não saíram do papel. A preocupação é só com as obras de extensão do rio, reclamam os ambientalistas.