Economia
Crise atinge vendas de instrumentos musicais
A crise econômica e a alta do dólar estão afetando a venda de instrumentos musicais em Alagoas, segundo empresários ouvidos pela Gazeta de Alagoas. Com 30 empresas ? 12 delas localizadas na capital ? boa parte do setor alagoano revela que as vendas estão no mesmo patamar de 2014, auge da recessão. Como a maioria dos instrumentos musicais comercializados em Alagoas é produzida em países como Estados Unidos, Japão e China, boa parte dos produtos praticamente dobraram de preços nos últimos três anos, influenciados pela alta da moeda norte-americana. ?Mesmo indústrias nacionais, como a Giannini, tem 90% de sua produção feita na Ásia?, informou o empresário alagoano Claudionor Andrade, Cactus Music. Embora não revele volume de vendas nem a receita, o empresário ressalta que as vendas este ano estão no mesmo nível do ano passado, quando o setor já mostrava dificuldades. ?Atualmente, Alagoas apresenta números inferiores ao começo da década de1980, quando o mercado ainda era insipiente?, lamenta ele. ?Representantes da indústria musical com quem converso revelam que Alagoas, que ocupava os primeiros lugares entre os Estados de Pernambuco, Sergipe, Bahia e Paraíba, está patinando em último em relação às vendas?, informa. AUMENTO Se o mercado anda retraído em Alagoas, o desempenho no resto do País mostra avanço, segundo dados da Associação Nacional da Indústria da Música (Anafima). De janeiro a outubro deste ano, o setor faturou US$ 69,95 milhões (o equivalente a R$ 267,9 milhões no câmbio de sexta-feira, 23), um crescimento de 29% em relação ao mesmo período do ano passado. O presidente da Anafima, Daniel A. Neves, reconhece, no entanto, que em algumas regiões, o mercado está mais retraído do que outro, como é o caso de Alagoas. ?O mercado está se recuperando de uma recessão gigantesca que teve início com a crise econômica de 2014. Mas dizer que o mercado está acabando é muito relativo?, pondera. Para ele, música faz parte do ser humano, por isso o mercado tende a crescer. ?O instrumento musical pode mudar, mas o ato de fazer música, não. Evidentemente, uma hora se vende mais violão; instrumento de percussão?, explica.