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Trabalhadores alagoanos fazem ‘bico’ para driblar o desemprego

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Enfrentando o desemprego pela primeira vez, o professor de língua espanhola Átilla Alves, 24, está nessa condição há 1 ano e 4 meses. Fazendo ?bico? ? como é chamado o trabalho informal ? para se manter, Átilla desabafa: ?Meu sonho é um emprego de carteira assinada?. O jovem professor não é um caso isolado em Alagoas. Ele faz parte de um universo de 24.800 trabalhadores que viram seus postos de trabalho sendo fechados nos últimos quatro anos. Neste período o emprego recuou 248% comparado com os quatro anos anteriores (2011-2014), quando foram criadas 16.761 vagas de empregos formais. O ?bico? é a alternativa que o alagoano desempregado encontrou para sobreviver. Ao jovem professor a alternativa que lhe pareceu viável foi a tradução de resumos, artigos e trabalhos de colegas. Além disso ele conta que formata trabalhos de conclusão de cursos e dá aulas particulares e de reforço, quando solicitado. Átilla conta que quando se viu desempregado ficou abatido. Tinha feitos planos com os salários que pareciam certos. Na atual condição, o professor conta que a procura por emprego está cada vez pior. ?A gente fica em um beco sem saída?, declara. A dificuldade da situação fez com que o professor abrisse o leque da área de atuação e entregasse currículo no comércio e em shopping. ?Tentei em tudo que vai de encontro a formação acadêmica?, revela. Desanimado, Átilla cogita sair de Alagoas. ?As perspectivas que eu tenho não são as melhores?. Enfrentando o desemprego também pela primeira vez, o administrador com MBA em Gestão Estratégica de Pessoas Willams Menezes Santos, 28, se questionou acerca do futuro após ser demitido. ?Uma mistura de tristeza, frio na barriga e medo do futuro que iria enfrentar. Um turbilhão de pensamento vem à sua cabeça em um momento desses. Como vou contar a minha esposa? Como pagarei as contas? Como fazer aquela viagem planejada de férias? Para onde irei? Fiquei completamente desnorteado, assinei os papéis, devolvi meu crachá e voltei para o meu carro, permaneci ali por 10 minutos pensando em toda situação?, relembra Willams.

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