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Produção agrícola alagoana deve ter alta de 3.000%, estima governo

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Pela primeira vez em 10 anos é notório o otimismo de produtores rurais e técnicos da Secretaria Estadual de Agricultura, Políticas Agrícola e Agronegócio, empresas e fomentadores do desenvolvimento rural. Quem estimula é a natureza. Chove desde novembro, em quantidade satisfatória e de forma esparsa em todo o estado. O ano começou com trovoadas e muita água que deu para encher barragens e açudes. A imagem cinza dos últimos seis anos da pior estiagem registrada em um século no Sertão foi substituída pelo verde. O primeiro trimestre está favorável. O desafio da Secretaria Estadual de Agricultura é encontrar recursos e negócios para salvar milhares de produtores das diversas cadeias produtivas da Agricultura familiar e de pequenos e médios pecuaristas. A produção agrícola deve aumentar 3 mil por cento. A de leite, que já esteve em 950 mil litros/dia, caiu para 800 mil litros. Mesmo assim é uma das melhores do Nordeste. O problema no setor é a crise econômica e a invasão do produto importado do Sul e Sudeste no mercado regional, avaliou o novo secretário de agricultura, Ronaldo Lessa. Enquanto o criador alagoano gasta em média R$ 1,20 para produzir um litro de leite, o produto importado chega ao estado a 80 centavos ou a R$ 1. Além disso, os programas sociais das prefeituras e governo estadual, que consumiam mais de 150 mil litros/dia, foram reduzidos para 50 mil litros/dia. Tecnicamente, a Secretaria de Agricultura admite que perdeu o controle da produção leiteira. Os técnicos da pasta acreditam que mais de 70% da produção está sendo comercializada em estados vizinhos: Sergipe e Pernambuco. Com o clima favorável, a tendência é de aumentar a produção na bacia leiteira. Mas como barrar a importação de leite que também é de boa qualidade e chega mais barato? Este é o desafio da nova gestão na pasta. Para complicar a situação da agricultura, faltam recursos para aumentar a produção de grãos como almejam os técnicos. No ano passado, a secretaria distribuiu mais de um milhão de toneladas de sementes de milho, soja, algodão, sorgo e arroz que foram cultivados em mais de cinco mil hectares do Sertão e Agreste. O arroz ocupou 400 hectares nas áreas alagadas do baixo São Francisco. Ronaldo Lessa e sua equipe pleiteiam R$ 70 milhões (praticamente o dobro do investimento passado) do Fundo de Combate e a Erradicação da Pobreza (Fecoep) para estimular a agricultura familiar. O dinheiro tem de chegar até cinco de abril, quando começa o período de plantio da quadra chuvosa. Isto leva crer que, se o dinheiro para investimento chegar em tempo hábil este será o ano da retomada da produção agricultura e pecuária. As condições climáticas são favoráveis em todo o Nordeste. No extremo norte da região, que compreende os estados vizinhos do Ceará, a quadra chuvosa começou no tempo certo, a partir de janeiro. Lá até hoje tem água em abundância e os acudes sangram.

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