Economia
Sem incentivos, produtores deixam de plantar milho
Para atender a demanda por milho, seja para o consumo individual, indústria alimentícia ou para aplicação agropecuária, como ração de aves e suínos, Alagoas teria de produzir entre 200 mil a 270 mil toneladas a mais do produto, estima a Federação da Agricultura do Estado; o que o próprio setor admite ser difícil de se conseguir. Em boa parte porque a tendência entre os produtores tem sido de reduzir a área plantada, em vez de aumentá-la, demonstrando uma descrença sem precedentes, em relação à cultura. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Arapiraca, a redução chegaria a 80% em algumas áreas. ### Forma de cultivo torna a cultura pouco rentável Um dos motivos apontados para a crise é a forma de cultivo, ainda realizado em pequena escala e com pouca aplicação de tecnologia, que, de acordo com o segmento, torna a cultura pouco rentável, devido aos custos de produção. Como perde para os custos de produção de culturas como mandioca e para o próprio fumo, o pequeno agricultor acaba avaliando ser mais viável cultivar essas outras lavouras a apostar no grão amarelo. O setor pede ainda apoio oficial, o que garante ao vizinho Sergipe condições para suprir parte da demanda de Alagoas, mas inviabiliza o mercado por aqui. ### Falta de chuva faz qualidade do produto cair No tempo de condições favoráveis à cultura, a Expomilho chegou à terceira edição, mas com a retração no setor, nunca mais foi realizada. Segundo Sérgio Murilo da Silva Pinheiro, nos dois primeiros anos após a explosão no plantio, a escassez de chuva fez cair a qualidade do produto, desestimulando os plantadores. Entretanto, o vaivém da oferta acabou revertendo a própria valorização da cultura, seguindo a regra elementar que a contrapõe ao preço. ### Agreste concentra a maior produção A cultura do milho é praticada predominantemente por pequenos agricultores, em regime familiar e, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Arapiraca, como tal, muito dependente dos incentivos oficiais. Segundo o presidente, Geraldo Balbino da Silva, a região uma das principais produtoras no Estado que compreende os municípios de Lagoa da Canoa, Coité do Nóia, Limoeiro de Anadia, Craíbas e Taquarana, reúne cerca de 5 mil agricultores que, por não encontrar o devido apoio oficial, passaram a recorrer a outras culturas, para fugir dos prejuízos. ### Queda aconteceu de forma vertiginosa A cultura do milho foi a que teve a mais profunda alternância de produção entre todas os gêneros da mesma categoria, na agricultura de Alagoas: em pouco mais de cinco anos, passou da condição de quase suprir as demanda do Estado para algo próximo do desaparecimento. A produção já esteve perto dos 80%; hoje, 70% do milho consumido em Alagoas é importado, diz o secretário adjunto de Agricultura, Jorge Dantas. Mas, segundo o vice-presidente da Federação de Agricultura, Edilson Maia, está em andamento uma luta de vários segmentos, tendo os produtores à frente, para reintroduzir o milho como cultura economicamente viável. ### Déficit deve ser visto como oportunidade O mesmo déficit que faz com que o milho consumido em Alagoas venha de lugares tão distintos quanto o Oeste da Bahia, Goiás ou Argentina também pode ser visto como potencial para quem queira investir na cultura. É preciso que o milho seja visto como prioridade, não apenas como uma cultura ?free lancer?. Tem de ser vista como uma lavoura que pode ser rentável, defende o vice-presidente da Federação da Agricultura, Edilson Maia. ///