Economia
BC anuncia medidas para frear consumo
Brasília, DF Os financiamentos de longo prazo, com entrada facilitada, estão com os dias contados. A partir da próxima semana, os bancos terão que seguir normas mais duras para conceder empréstimos ao consumidor que quiser financiar, por mais de dois anos, a compra de produtos como carros, televisão, geladeira e fogão. O arrocho faz parte de um pacote de medidas anunciadas ontem (3) pelo Banco Central (BC) que tem por objetivo reduzir o ritmo de expansão da oferta de crédito, controlar o nível de calote das prestações e, por tabela, colocar um freio na inflação, evitando assim um indesejável aumento dos juros logo no início do governo Dilma Rousseff (PT). Além do estabelecimento de novas condições para os empréstimos de longo prazo, o volume de dinheiro que os bancos precisam deixar depositado no BC foi elevado, reduzindo assim a disponibilidade de recursos a ser emprestados. A ação põe fim às medidas de aumento da oferta de crédito no mercado local, adotadas durante a crise financeira de 2008. Mercado vê início do ciclo de aperto | RENÉE PEREIRA - VINÍCIUS PINHEIRO / Agência Estado São Paulo, SP O pacote de medidas anunciado ontem pelo Banco Central (BC) foi entendido pelo mercado financeiro como o início de um novo ciclo de aperto monetário na economia. O aumento do compulsório deverá ser a primeira medida para reverter o quadro de deterioração dos índices inflacionários e complementará o processo de alta da taxa Selic. Mas, ao contrário das expectativas anteriores de aumento em dezembro, agora o mercado aposta em janeiro ou fevereiro. Com as medidas, o mercado reduziu as taxas de juros no curto prazo e elevou as de longo prazo. Ou seja, estão apostando na retomada da alta dos juros, explica o economista da Opus Investimentos, José Marcio Camargo, que considerou corretas as medidas adotadas pelo BC. Vendas de Natal não serão afetadas | MÁRCIA DE CHIARA - Agência Estado São Paulo, SP O pacote de aperto de crédito baixado ontem pelo Banco Central (BC) reduz a velocidade de vendas no varejo no fim do ano, mas não chega a estragar o Natal. O maior efeito das restrições no bolso do consumidor, como a redução nos prazos de financiamento, elevação das taxas de juros, exigência de entrada na compra de veículos, deve ser sentido em janeiro, dizem representantes do comércio. As medidas não vão afetar muito o Natal, afirma o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti. Ele reviu de 12% para 11% a expectativa de crescimento de vendas para a data, depois que tomou conhecimento das medidas. Mesmo assim, se a previsão se confirmar, este será o melhor Natal dos últimos dez anos, com crescimento de dois dígitos. Burti reconhece que a demanda estava aquecida acima das expectativas Em novembro, por exemplo, as vendas do comércio cresceram 12,3% na comparação com o mesmo mês de 2009.