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Caixinha de Natal ganha fôlego com moeda forte

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Um símbolo da época quase tão presente quanto as decorações natalinas, a conhecida caixinha de Natal, criada por vendedores e atendentes de loja, resiste ao tempo, mas nem sempre com a mesma força de antigamente. Por conta da valorização da moeda brasileira, nem sempre o trocado das compras tem sido colocado para o racha dos trabalhadores, ocorrido ontem à tarde. Há até quem não contribua por uma posição ideológica e até de denúncia. Teve uma mulher que veio aqui e, mesmo sem que eu falasse nada, ela disse que não cooperava porque isso [a caixinha] era uma invenção do chefe para pagar o 13° [salário], revelou a operadora de caixa de uma panificação no bairro do Pinheiro, Janaína Cristina Silva. Sempre bem posicionada, quase sempre envolta em papel de embrulho para presente, a caixinha é encontrada em balcões ou ao lado do terminal de caixa. Grandes, pequenas, vistosas ou discretas, não é o tamanho que determina se fará sucesso ou não. Para dar tempo de encher, o ideal é que seja colocada com um mês de antecedência. Objeto divide opinião de empresários alagoanos Nem sempre a solidariedade e benevolência são os determinantes para as histórias das caixinhas. No Centro da capital alagoana, numa tradicional loja de fotografia, os funcionários desistiram da iniciativa porque não tiveram sorte. Há uns três anos, com quase R$ 100,00 guardados, o cofre improvisado foi roubado. Aqui desistimos porque fomos vítimas de roubo. Uma pessoa aproveitou que a atendente se afastou. Quando ela voltou para o balcão, a caixinha tinha sumido, revelou Michele Almeida. Especialista no tratamento de imagens digitais, Michele conta que com o passar do tempo, os próprios colegas foram perdendo o estímulo em manter a tradição dos comerciários. Esse ano ninguém tomou a iniciativa, aí o tempo foi passando e acabamos nem sentindo falta, completou Michele. Empresário contribui com funcionários É essa a realidade de um restaurante na Rua Boa Vista. Contando com 25 funcionários, a caixinha não é só uma realidade. Ela está bem colocada de forma explícita, próximo ao terminal do caixa. Para chamar mais a atenção, foi utilizado um modelo usado para sapatos. O proprietário do restaurante, há quatro anos atuando no ramo, além de incentivar a iniciativa, é colaborador da caixinha. Sempre completo com alguma coisa para ajudar nosso pessoal, confirmou José Pereira, do Chic Self- Service. Sua esposa, Myrella Agra, além de incentivar as doações ajuda com o que pode. Ela conta que graças à fidelidade de alguns clientes as doações costumam surpreender. São donos de lojas, cujo os funcionários comem aqui o ano inteiro. As vezes fazem um depósito de mais de R$ 100, revelou Myrella. Garçons têm caixinha imaginária Na área nobre da capital, na orla da Pajuçara, o comportamento fiel dos clientes de alguns estabelecimentos é uma marca. No bar e restaurante Pedra Virada, os garçons já se tornaram amigos dos frequentadores. Além do atendimento diário, há ainda outros serviços que acabam conquistando ainda mais quem aparece para um happy hour. O pessoal aqui é muito tranquilo. Muita gente nos trata com muito carinho e atenção. Nosso trabalho vai além da mesa e balcão. Às vezes, como o próprio cliente percebe que já bebeu, nos pede para que os levemos em casa, e nós fazemos isso com o maior cuidado, revelou Jonas Gusmão Campos. Segundo revelou, o membro da equipe mais novo no local já trabalha há dez anos. Por isso a relação de confiança com os clientes é considerada especial. Eles sabem que podem contar com a gente no dia a dia. Aqui guardamos tudo, do celular a carteira. Quando voltam ficam agradecidos demais e permanecem com a gente, completou Jonas, certo de que o apurado deste ano surpreenderá novamente. Valorização da moeda muda hábitos Os diferentes comportamentos em relação à caixinha também acabaram revelando uma realidade: a valorização da moeda. Para o professor-doutor em política econômica, Reinaldo Ruben, esse fenômeno é uma realidade no País. Essa questão das pessoas doarem pouco é algo interessante. É inegável, por conta da mobilidade social, as pessoas descobriram que o dinheiro guardado de forma racional pode render, ponderou Reinaldo, que integra o quadro de professores do curso de Ciências Econômicas da Ufal. Ele acredita que as pessoas estão vendo a moeda com mais seriedade. Seja a classe média, ou as classes C e D, descobriu-se que é possível acumular cada centavo. Ao poucos, as pessoas estão percebendo que mesmo com a economia desacelerando, houve uma certa melhoria de vida, destaca Reinado Ruben. Condomínios profissionalizam prática FOLHAPRESS São Paulo, SP Apesar de alguns condomínios terem proibido a caixinha de fim de ano para porteiros e zeladores, a tradição persiste na cidade de São Paulo.Nos que mantêm a prática, a caixinha se profissionalizou, segundo o diretor da Aabic (associação das administradoras de condomínios de São Paulo) Eduardo Zangari. A antiga lista aberta, em que cada morador escrevia quanto iria doar, está proibida em boa parte dos condomínios. Segundo Zangari, esse método, que já foi o mais comum, constrange os moradores a fazer a doação e cria, por parte dos empregados, vantagens para os bons doadores. Hoje, em muitos casos os funcionários recebem um abono de até 50% do salário com dinheiro do próprio condomínio, afirma. Outra modalidade que cresce, explica, é o condomínio sinalizar com um valor a ser pago por todos os apartamentos.

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