Economia
Adaptação a novas normas custará bilhões

Brasília, DF As novas normas de segurança para máquinas e equipamentos desataram um onda de críticas ao governo, considerado insensível aos efeitos práticos das medidas no chão da fábrica e refratário a uma calibragem das exigências. A norma é tecnicamente boa, mas impossível de ser cumprida. Precisamos evoluir para um ponto de equilíbrio, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria da Panificação (Abip), o mineiro José Batista de Oliveira. O governo rebate dizendo que a regra teve aval dos industriais em um conselho tripartite. A CNI concordou. Mas podemos achar esse equilíbrio porque a norma é viável e protege os trabalhadores, diz o coordenador-geral de Normatização e Programas do Ministério do Trabalho, Rinaldo Costa Lima. As dificuldades são várias, informam os empresários. Em Novo Hamburgo (RS), uma indústria de calçados não pode fazer as adaptações exigidas pela NR 12 sob pena de perder a garantia das máquinas fabricadas por uma empresa italiana. Quer dizer, é permitido produzir, mas proibido utilizar, resume o consultor do Sinduscon-RS, Sergio Ussan. Dono da SL Engenharia e professor de segurança do trabalho na Unisinos, ele dá outro exemplo: uma ponte rolante, espécie de guindaste, usada em uma fábrica de pré-moldados teve 18 pontos irregulares identificados por engenheiros do Senai.