Economia
Retração chega ao cotidiano das famílias brasileiras
Bares com mesas vazias na calçada em tarde ensolarada, restaurantes sem fila de espera, placas de vende-se amarelando na porta de prédios, promoções nos salões de beleza. A desaceleração do setor de serviços é assim. Discreta e silenciosa, mas mais preocupante para a maioria da população porque a retração dos serviços coloca os problemas da economia mais perto das pessoas na esquina, no vizinho, dentro de casa. Um dos segmentos mais afetados é o de salões de beleza. Há poucos anos, proliferavam como prova de pujança. Hoje estão vazios. Lúcia Pagliato, proprietária de um salão na Lapa, zona oeste de São Paulo, há três meses faz empréstimos no banco para pagar de salários de seus dez funcionários. Foi a primeira vez que precisei fazer isso em 12 anos neste salão e 20 na região, diz a empresária. Nos últimos meses, Lúcia viu pelo menos três salões e clínicas de estética fecharem. O movimento começou a cair na Copa, e de lá para cá piorou está uns 60% inferior ao normal, diz ela. Lúcia lançou mão de várias promoções para tentar atrair a clientela. Se eu reajustar preço, aí que eu fecho as portas.