Economia
D�lar: Furlan e Mercadante desagradam Lula
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que as recentes declarações sobre câmbio e juros do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), e do ministro Luiz Roberto Furlan (Desenvolvimento) dificultam os planos dele e do ministro Antônio Palocci Filho (Fazenda) para baixar os juros e, eventualmente, intervir no câmbio. Lula está contrariado com os dois e vai enquadrá-los. Segundo a reportagem apurou, Lula e Palocci já discutem com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a redução da taxa básica de juros, hoje em 26,5% ao ano. A cúpula do governo crê ter sinais suficientes de queda da inflação para diminuir os juros. Mais: o governo aposta que o câmbio encontrará naturalmente cotação adequada para o chamado esforço exportador, mas, reservadamente, o Palácio do Planalto julga que o patamar de R$ 2,80 por US$ 1 deve ser o piso para eventual ação do Banco Central para conter a desvalorização da moeda norte-americana. Mas o governo não admitirá isso publicamente. Como Lula e Palocci não querem avisar o mercado quando optarão por algum tipo de ação, principalmente no câmbio, as declarações de Mercadante e Furlan são consideradas inábeis. De acordo com auxiliares do presidente, Lula tem dito que a divergência com Mercadante e Furlan não é de conteúdo, mas de estratégia. O presidente acha que os dois estão falando demais, o que atrapalha a administração diária de Palocci na economia.